terça-feira, 13 de outubro de 2009

Filosofia barata

Nas minhas andanças cada vez mais raras de bicicleta pelo RS afora, ou durante as provas de Audax, várias vezes me indagaram porque faço (fazemos) isso. Em algumas situações o interlocutor não tem a mínima idéia de porque deixamos o conforto de ir de carro para ir de bicicleta.

Certa vez, em São José dos Ausentes, vinha eu, bufando morro acima num calorento dia de dezembro de 2006, pedalando a minha bicicleta de 19kg e puxando um reboque de mais de 20kg quando um cidadão me parou e fez as 2 perguntas que todo ciclo-turista já ouviu::

1) De onde tu vem?
2) Para onde tu vai?

Depois das devidas respostas e dos previsíveis "hãããs?", o cidadão, do alto de sua perplexidade e incompreensão, me pergunta num tom meio constrangido: "É promessa?" :-)

Em outra ocasião, durante o Audax 300 de Caxias em 2004, depois de uma noite chuvosa onde tentávamos "juntar os cacos" e seguir na prova, um gaudério de cima do seu "pingo" fez as 2 perguntas clássicas. Depois das respostas o cidadão exclama a plenos pulmões:

"O prêmio deve ser muito bom, porque vocês estão se f...!"

Naquele momento, alguém com bastante presença de espírito, comentou que o primeiro prêmio era de 10 mil reais e todos que completassem ganhavam uma certa quantia em dinheiro!!

Se fôssemos contar a história toda ficaríamos a manhã inteira ali e correríamos o risco de depois de tudo tomar uns pranchassos de facão por tentar aplicar uma mentira no cidadão.

Sair da volta de casa, encarar o mundo de frente e sair da rotina é fundamental, pois como já escreveu o navegador brasileiro Almir Klink:

" Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."

O Audax é um pouco disso, mesmo que por poucas horas, nós vemos a vida como ela é. Nos tornamos frágeis por opção, optamos por sair de nossas casas e nos aventurar muitas vezes por lugares desconhecidos.

O texto do Almir Klink foi retirado do perfil do Bughera do Orkut, aliás, esse cidadão é uma das pessoas que leva essa frase mais a sério. Quem tiver tempo dê uma lida na aventura dele de bicicleta até o Chile.

2 comentários:

14 de out de 2009 11:57:00
Saul Alexandre Rodrigues disse...

Não precisa falar mais nada!!!
Definição exata dos sentimentos e motivações de um cicloturista!!!
PERFEITO!!!
Grande abraço!!!

Saul

15 de out de 2009 08:40:00
Kieling disse...

Opa! E aí Farrapo! Tudo bom? Legal saber que o amigo passa por aqui de vez em quando para dar a sua contribuição!

Só lamento uma coisa na minha vida ciclística: ter descoberto o cicloturismo perto dos 40 anos. Se tivesse despertado para isso na minha adolescência poderia ter aproveitado as minhas férias da época de faculdade conhecendo o RS e o Brasil de bicicleta.

Cada vez mais eu me apaixono por esses breves períodos em que consigo me "libertar" de tudo e posso me "perder" por locais fantásticos que temos por aí.

Um grande abraço e te esperamos ano que vem aqui em Lajeado.

Abraços
Kieling

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