quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Audax Poa - Mais números

Um leitor desse blog questionou, de forma construtiva, as informações publicadas ontem sobre o fato da prova de Porto Alegre ter sido considerada difícil levando-se em conta apenas o tempo médio de prova, pois segundo ele, existem muitas outras variáveis que podem tornar uma prova mais ou menos rápida.

O leitor está coberto de razão, na prova de Lajeado tivemos um ciclista que num ano fez a prova em 7:30 e no ano seguinte 13:30! Nesse caso ele simplesmente resolveu andar bem lentamente para poder ajudar quem vinha mais atrás. Em outra situação, uma prova já difícil, o 300 de Caxias de 2005 tomou conotações dramáticas quando os ciclistas enfrentaram na segunda metade da prova um vento de "proa" que fez com que alguns ciclistas mais experientes desistissem e outros chegassem no limite das 20 horas. Esses 2 exemplos mostram que existem muitos outros fatores que podem determinar um ritmo médio de prova mais rápido ou mais lento.

Diante dessas subjetividades tentei focar um pouco mais as estatísticas da prova nos ciclistas que já haviam pedalado a prova de Poa. Dos 72 ciclistas que consegui identificar como "repetentes" nessa prova 49, ou seja 68%, fizeram o seu pior tempo.

A média dos tempos desses 72 ciclistas nas provas anteriores de Poa era 10:50, sendo que no domingo eles registraram o tempo médio de 11:19, ou seja, quase meia-hora a mais que a média deles próprios e apenas 6 minutos a menos que a média geral.

O leitor que fez o questionamento, faz parte dessa estatística, depois de ter feito 9:56 em 2008 e 8:55 em março desse ano, no domingo passado ele registrou o seu pior tempo para a prova de Poa, superior em mais de uma hora em relação ao seu tempo de pouco mais de 6 meses atrás.

Alguns insistem em dizer que a estatística é uma ciência exata, mas ela serve muitas vezes apenas para provar a tese do estatístico. :-) Quem tem mais de 40 anos deve se lembrar do ano de 1983, quando o Nordeste estava passando por uma grande seca e aqui no Sul tivemos a primeira cheia de grandes proporções que teve repercussão nacional. Sob o ponto de vista da estatística estava tudo bem, pois afinal de contas, a seca do Nordeste e as nossas cheias, na média, indicavam que o clima no Brasil estava muito bom.

4 comentários:

21 de out de 2009 18:46:00
Anônimo disse...

Como um bom apreciador do "estatiquês", sabemos que é uma ferramenta de dois gumes: quando bem aplicada, corroba as afirmações, porém, quando empregada de má fé, é igual ao "biquini de guria carioca": mostra tudo, mas esconde o essencial... ;)

21 de out de 2009 20:25:00
Kieling disse...

Opa! A estatística pode nos proporcionar uma visão privilegiada do que acontece ou, como tu bem disse, pode distorcer uma realidade sem mentir.

Acho que sou muito pretencioso chamando isso de estatísticas da prova, acredito que a melhor palavra para definir essas informações poderia ser curiosidades.

Abraços
Kieling

21 de out de 2009 22:28:00
Edu disse...

Boas análises Kieling. É interessante ler sobre isso. Fiz a prova de domingo em 12:25 e é o tempo médio de meus três audax 200 de 2009, sendo que dois foram no Rio, em percursos bem diferentes. Mas falando de estatística lembrei da definição de um professor de entomologia da universidade que cursei. Ele dizia que a estatística está para a ciência como o poste está para o bêbado: sustenta, mas não ilumina. :)
Abs
Edu

21 de out de 2009 23:37:00
Kieling disse...

Pois é Edu, a tal da estatística é daquelas coisas que não sabemos se está aí para ajudar ou atrapalhar.

Dentro das possibilidades que a ferramenta de análise que utilizo proporciona (Excel), tento gerar esses dados que se não tem muita utilidade, tem a pretenção de traduzir um pouco de toda a emoção de uma prova dessas em números.

Edu, tu é daqueles caras que já ouvi falar um monte, mas que ainda não tive a chance de conhecer. Parabéns pela bela iniciativa no RJ frente ao Audax carioca.

Sucesso para ti e nos vemos um dias desses num Audax por aí.

Abraços
Kieling

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