quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Entregas dos passaportes de 2007

Os organizadores das provas de Lajeado e Santa Cruz do Sul em 2007, eu e o Faccin, estaremos entregando aos participantes da prova do próximo fim de semana os passaportes das provas 200 e 400 Lajeado e 300 SCS.

A entrega provavelmente será feita ainda no sábado à noite durante a janta, quem lá não comparecer poderá retirar esse material no domingo. Só lembro que o Faccin será voluntário e eu devo fazer a prova numas 12 horas, ou seja, pode ser que a espera pelo passaporte seja demorada para os primeiros a terminar a prova.

Quem não participar da prova ou se retirar antes de falar conosco, receberá o passaporte com o selo do ACP pelo correio.

Audax SCS - 86 inscritos!!

O Audax de SCS teve 86 inscritos! É um número muito bom para uma prova fora da "temporada oficial", e olha que o Valim estava torcendo para que a prova tivesse pelo menos uns 30 inscritos.

Eu achava que a prova teria umas 50 inscrições, de vez em quando é muito bom errar uma previsão!

sábado, 24 de novembro de 2007

Parece que teremos tempo bom em Santa Cruz do Sul no próximo fim de semana, é uma boa forma de "São Pedro" se redimir da "sacanagem" da prova realizada em março desse ano na mesma cidade. Naquele dia tivemos um dilúvio com forte vento contra que foi precedido por temperaturas perto dos 40 graus.

Os mais de 100 inscritos agradecem!

A previsão do tempo para Santa Cruz ficará disponível até domingo que vem na coluna que fica à direita no blog.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Encerram-se hoje as inscrições para o Audax a ser realizado no dia 2/12, essa prova ocorrerá entre as cidades de Santa Cruz do Sul e Encruzilhada e já possui mais de 70 inscritos!!!!

As inscrições podem ser feitas no site do grupo Santa Ciclismo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Audax SCS - 40 inscritos

O Audax "fora da temporada" de Santa Cruz do Sul já é um sucesso!! Os 40 inscritos já são uma garantia que a prova terá muitos atrativos, já confirmaram presença "malucos" de todas as espécies, mas vale a pena ressaltar as inscrições de 2 "Luízes": o Faccin e o Lazary! Para quem andou por outro planeta nos últimos meses, vale dizer que os 2 andaram pedalando o PBP2007 e a eles certamente se unirá o Erich Brack outro sobrevivente dos 1227 km franceses.

Lembrem-se: as inscrições encerram-se na 6a. feira dia 23/11.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Audax 2007 - selos de homologação

Depois de mais de 7 meses e meio finalmente chegaram os selos de homologação das provas de Lajeado!! Quem me deu essa notícia foi o Luiz Faccin que foi o organizador de 2 provas em SCS nesse ano. Os selos estão em SCS e me serão entregues ainda nesse fim de semana, semana que vem serão colados nos passaportes e até o início do mês de dezembro serão enviados para quem completou a prova.

Vai aqui o meu obrigado ao Antônio Costa, organizador do Audax de Ubatuba que conseguiu "resgatar" esses selos e nos enviar.

Para quem ainda não sabe todas as provas SÉRIAS de Audax no Brasil são homologadas pelo ACP - Audax Club Parisien e a homologação se dá pela emissão de um selo onde consta o número da homologação do resultado de cada atleta. Essas homologações podem ser vistas no próprio site do ACP.

Infelizmente, o processo de envio dos selos foi extremamente lento esse ano, pois apesar de termos cumprido todos os quesitos necessários e a homologação ter sido feita, mesmo com atraso, o envio dos selos teve um atraso injustificável.

Quem for pedalar Audax em 2008 deve ser extremamente crítico na cobrança desse direito garantido por todo organizador SÉRIO, ou seja, a prova tem que ser homologada e todo o ciclista que completar o percurso dentro do tempo estabelecido tem o direito de receber o seu passaporte de volta com o selo colado.

Para uns pode parecer bobagem, mas é um direito e deve ser respeitado.

A propósito, estamos começando muito bem a série em 2008, as provas de Ubatuba e Santa Cruz do Sul tem a frente o Costa e o Valim, pessoas que já deram várias demonstrações de seriedade no trato das coisas do Audax no Brasil, seja como voluntários, organizadores ou ciclistas.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Abertas as inscrições para Santa Cruz do Sul

Ao apagar das luzes do dia em que foi prometido as inscrições para a prova de Santa Cruz do Sul foram abertas!! Ontem às 22 horas o Luiz Faccin (tinha de ser ele) foi o primeiro a se inscrever para a prova.

Quem quiser se inscrever é só ir no site do Santa Ciclismo, para olhar quem já se inscreveu clique aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Altimetria Audax 200 - SCS

A prova de SCS começou muuito bem! O Udo, tinha que ser ele, fez um levantamento muito legal para a prova do dia 02/12. Ele comparou a altimetria de SCS com a prova de Pelotas, que pedalamos em setembro, e com parte da outra prova de SCS realizada em março deste ano.

Mais do que a altimetria, o Udo mostra as principais referencias da prova que certamente serão úteis a todos os ciclistas que resolverem encarar o primeiro Audax 200 realizado em dezembro aqui no RS.

As inscrições devem ser abertas ainda nessa semana.

Nos vemos lá.Clique na imagem para visualizar melhor.
*Eu tive de "mutilar" a imagem para que ela ficasse de um tamanho razoável. Quem quiser ver no tamanho original é só entrar em contato.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Audax 200 de SCS - Hospedagem

O Valim entrou em contato nos dando algumas informações sobre a prova de Santa Cruz do Sul a se realizar no dia 02/12. A largada será no hotel Feldmann junto ao distrito Industrial da capital gaúcha do Oktoberfest.

Se alguém quiser ir se organizando pode anotar o telefone do hotel 51 3719-1040 que fica na BR471 km 49.

Semana que vem as inscrições se iniciam através do site do Faccin e certamente a Faccin Bicicletas também estará recebendo inscrições.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Relatos PBP - Luiz Maganini Faccin

Demorou, mas saiu o relato do Faccin. E ele promete um relato mais detalhado em breve

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Segue abaixo o meu relato atualizado e algumas dicas!

O próximo Paris Brest Paris é só em 2011!
Ano que vem tem 1400km Londres Edinburgo Londres 110 horas
Nos links abaixo vc encontra algumas dicas de equipamentos:
http://www.faccinadventure.com.br/
clique em dicas
Veja também os links no site e os links abaixo:


http://inema.com.br/Audax/

http://inema.com.br/mat/idmat067995.htm

http://inema.com.br/mat/idmat067993.htm

Relato Audax 1200 km Luiz M. Faccin quarta versão:
A primeira versão escrita ainda na França está no blog:
Blog sobre Audax - http://www.audaxlajeado.blogspot.com/

A segunda versão é a mais completa e não está disponível!

A terceira versão é a mais reduzida e sairá na revista Sul Sports de novembro
http://www.sulsports.com.br/site/default.asp

A quarta versão abaixo:

Paris Brest Paris 2007.
5-Relato Luiz Maganini Faccin
Largada às 21h e 30 minutos do dia 20 de agosto. A emoção da largada. Estávamos na rua em frente ao ginásio para o tão esperado momento, caia uma chuva fina, fogos de artifício, discurso em francês com orientações aos participantes, contagem regressiva, buzina. Lentamente os ciclistas mais a frente vão se movendo até que, chegou a minha vez de girar os pedais e passar em baixo do pórtico. Um misto de alegria e de esperança, eu estava lá, depois de tanto tempo, eu estava lá.
Primeira noite com chuva, mas sem muito frio, como tinha dormido pouco nas noites anteriores, fiquei com sono das 5h ate as 16h deste dia. Choveu muito ao meio dia. Pedalei mais com o Jorge, português que pedalou o quinto PBP e a Silvie que é francesa e também estava com a camisa do Brasil. Gostei muito de passar em Logni Au Perche e principalmente de ver a igreja iluminada na madrugada, foi muito rápido, não podia olhar, tinha que prestar a atenção nos ciclistas a frente. Deu vontade de parar, mas foi a primeira amostra das dezenas de igrejas e belas vilas por onde passaria nos próximos dias e noites.
Paramos para almoçar no PC e quando fui descer uma escada molhada caí, bati o cotovelo esquerdo, braço direito e as costas. Sorte que eu estava com gel, luvas e carteira no bolso da camisa e protegeu um pouco. Saí na rua, no estacionamento de bike, na chuva, com dor e pensei em ir para a enfermaria do PC, mas iria perder tempo, melhor nem olhar, até o final do “Audax” devia estar curado. No estacionamento, veio um casal francês falar comigo. Eles perguntaram de onde eu era, etc. e pediram o meu autografo. Estavam com um cartão postal com assinaturas de tudo que é tipo, inclusive em japonês, escrevi meu nome, o país e dei um adesivo do Brasil para eles. Saí mais animado depois desta conversa, mas perdi o contato com o Jorge e a Silvie.
No começo pedalávamos sempre no vácuo dos outros ciclistas e se forma uma fila interminável. Mesmo depois você sempre encontra outros para andar junto, se for o caso reduz o ritmo e fica em outro grupo. Nos PCs tem comida boa e barata, mas um pouco de fila.
Sai do PC de Tinteniac, km 365, andei uns 8km e o núcleo do k7 começou a falhar, até que não pegou mais. Bati e ele funcionou. Andei mais de 40 km sem parar de pedalar, freando na decida e pedalando sem parar na subida. Tive que parar para urinar, mais uns 15 minutos e o núcleo engatou, assim eu fui, e fiz muitas vezes, haja paciência. Chovia, como chovia quase sempre, e um italiano me alcançou, sofri, mas consegui conversar com ele, quase só falava francês, ele era de Bergamo e ficou apavorado quando o núcleo falhou novamente! Perguntava o que eu iria fazer e eu só disse, deve andar, vou girar até firmar, depois disto parei mais umas 4 vezes. Estava cansado e não conseguia manter sempre a corrente esticada e girando. Cada parada, um desânimo a mais, estava pensando na possibilidade de desistir e me preparando psicologicamente para isto. Parei em uma vila muito linda, algumas crianças e um senhor vieram me ajudar, mas não havia o que fazer. Estava desistindo, parei alguns minutos, tentei mais algumas vezes, e nada, mais algumas, e engatou, segui. Não sei quantas vezes parei. Mais de 75 km e cheguei no controle de Loudeac. O Lacerda que fazia um apoio voluntário ao nosso grupo, estava lá desolado, tinha batido o carro alugado para fazer o apoio. Eu estava querendo desistir, assim não tinha graça, mas acho que ele estava pior do que eu e tive que dizer que o carro a gente acertava depois e agora tinha coisa mais importante a fazer? Talvez desistir!!
Só iria desistir depois de comer e de dormir, e mesmo com o atraso eu tinha tempo, foi o que fiz. Dormi 3h e 30 minutos no carro. O Erich que tinha dormido me acordou, dizendo para não desistir e para irmos, mas eu tinha que acertar a bike! Disse: vai indo que eu vou decidir o que fazer. Comprei uma roda traseira por 58 euros, instalada na bike, peguei as coisas rapidamente, tomei café e sai para continuar na prova. Na realidade queria desistir mesmo, mas era muito legal passar por cada vila medieval linda e ver cada igreja, ver as pessoas torcendo na beira da estrada, lembrei do casal do autografo, de um senhor tocando gaita para os ciclistas na beira da estrada, das crianças abanando, das famílias com a mesa com queijo e vinho fazendo festa na frente de casa para ver os ciclistas. Não queria perder isto, e isto foi o que me motivou a sair em direção a BREST= só isto!
Estava chuviscando e escuro e eu sai, andei 3km e furei o pneu traseiro, troquei a câmara de ar, não tinha nada no pneu. Andei mais 3 km e furei novamente o mesmo pneu. Voltei pedalando com o pneu furado ate o pc. Falei com o cara da loja de bike, mostrei a fita de raio onde tinha furado a câmara, comprei mais duas e sai, adivinha? Andei 5 km e o pneu furou de novo, voltei lá e, acredite se quiser, fui educado como um francês, mas aprendi a reclamar educadamente, disse que era a terceira vez que estava furando, que era na fita e que eu estava cansado. Ele trocou a câmara a fita de raio e não cobrou. Eu nem quis centrar a roda, estava torta depois de andar tanto com pneu murcho. O pneu e bom e não estragou. O pc estava para fechar e eu sai atrasado e brabo e agora é que não desistiria, depois de ter sofrido tanto.
Depois de Loudeac andei um tempo sozinho e ainda estava escuro Pedalai com um grupo de espanhóis que andava bem, tinham ate treinador, equipe de 6 e tudo, eu andava só no vácuo, o trajeto tinha muita subida a andávamos a 20 km/h ou mais.
Chegamos no próximo PC (Carhaix) faltando 45 minutos para o fechamento e não demorei muito, os espanhóis ficaram lá furando a fila, conversando e comendo. O dia melhorou ( segundo dia) mas o vento muito forte e muita subida, vento de frente ou lateral. A previsão do tempo falava em vento de até 60 km/h e ele assoviava na bike, nunca tinha acontecido isto antes. Lia nos relatos do PBP que o pessoal caia e ficava dormindo na beira da estrada antes de chegar ao final do Paris Brest Paris, mas vi ciclista caído antes de Brest, que e a metade do caminho. Estava chegando a mais uma vila medieval, Sizun que tem uma igreja linda, uma subida, bares e lojinhas. Estava quente e os bares estavam cheios de ciclistas famintos, cansados, fedidos, alegres... Furei o pneu traseiro, mas desta vez foi um arame.
Parei no café, compre 2 sanduíches de baguete, água e café, sentei na escada em frente e fiquei comendo e observando tudo. Fui na lojinha do lado e comprei alguns postais da cidade, já que estava sem maquina fotográfica. Estava saindo quando lembrei que tinha que trocar a câmara de ar. Para chegar a Brest ainda era longe, sempre e longe depois de ter pedalado tanto, mais longe com vento contra.
Estava chegando no Finistere e tinha muita subida. Alcancei um casal em uma tanden e perguntei se ainda faltava muita subida, pois via que a mulher tinha um gráfico com as altimetrias da prova e ela me respondeu: falta 4 km, mas depois tem 16 km de descida e comemorou. Pensei, se tem 16 km de descida na volta serão 16 de subida. A decida quase nem senti devido ao vento contra.
A chegada em Brest com calor, vento foi emocionante, mais emocionante foi ver um senhor tocando gaita de fole da Bretanha para os ciclistas que passavam em uma esquina. Deu vontade de chorar e eu chorei mesmo, nem sei porque, foi de emoção e foi bom. A ponte de Brest e linda, mas tem um vento lá em cima! Na chegada a Brest também vi um ciclista acidentado sendo atendido por uma ambulância.
Em Brest, comi massa, molho, arroz, e deitei um pouco na grama e sol para descansar, enquanto o aro traseiro da bike era mal centrado.
Agora só faltava voltar, só isto? Parece fácil? O vento era a favor, ou lateral e eu andava no meu ritmo e o meu ritmo no plano era de mais ou menos 25 km/h, mas isto eu não tinha como ter certeza nunca, o velocímetro ficou sem pilhas no km 260. Eu estava sem velocímetro, e sem relógio, só perguntava as horas nos pcs e sabia o quanto de tempo tinha chegado antes do fechamento, era isto que importa!
Depois de Brest havia algumas decidas mais fortes, em uma destas, estava no vácuo de uma bike reclinada aro 26, pedalando o mais rápido possível, quando escutei o som de algo cortando o ar. Fomos ultrapassados por uma bike reclinada com carenagem que devia estar andando a uns 110 km/h. Incrível!
Rendia bem, tinha muita subida pela frente, mas não era tão forte e o vento a favor. Só no final a subida era mais forte. No final da subida (16 Km) tinha muitos carros e muita gente oferecendo água, banana, café, lembrava a volta da franca, com menos gente e claro. Certo, talvez esteja exagerando um pouco. Comi banana e tomei café. Aquele é o melhor café porque você bebe quando está mais precisando. O senhor quando disse que era brasileiro pronunciou algumas palavras em português para, eu acho, ser gentil.
Cheguei novamente em Sizun e parei para tomar um glace ( sorvete) e uma Coca Cola no Café du Centre. Gostei muito de Sizun, acho que foi também porque foi um dos poucos lugares no PBP que consegui fazer paradas para descanso com sol. O clima do lugar era de PBP.
Cheguei a Carchaix, a chuva voltou.. Jantei e comi o cardápio básico: sopa, arroz, molho e massa. Comprei café e uma lata de Coca Cola e coloquei no bagageiro da bike.
Conversei com um senhor francês que estava pedalando o oitavo PBP, ele disse que este foi o mais difícil, devido a chuva e o vento; ele estava no mesmo local que eu onde fomos nos esconder um pouco para passar creme contra assaduras nas partes mais afetadas.,
Depois de Carchaix, de comer eu segui para o próximo PC e para enfrentar a noite. Estava motivado, mas consciente, sempre conseguindo chegar com um tempo de sobre nos PCS, conseguindo pedalar bem e sem dor. O que sentia as vezes era a pressão baixa e a tortura/sono, mas aprendi a lidar com isto. A noite estava chegando, seria a terceira noite no PBP. A chuva forte veio antes do escurecer. Cheguei em Loudeac não sei exatamente o horário, mas devia ser quase 23h, pois só escurece as 22h e escureceu mais cedo devido a chuva forte. Chovia! Eu tinha tempo para dormir, mas aonde? Era aconselhável tomar um banho, mas até nem sentia tanta necessidade. Eu deveria comer. Estava precisando escovar os dentes novamente e isto sentia mais falta do que do banho. Cheguei no carro de apoio que estava lá no mesmo lugar. O Lacerda estava dormindo. Peguei o material para banho, a calça impermeável para uso no restante da prova, meias, etc.
Depois do banho eu fui para o restaurante comer alguma coisa. O restaurante estava lotado de gente dormindo. Comi algo a sai a procura de lugar para dormir. Dormitório cheio, sem vagas. Bancos, e qualquer outro local mais abrigado estavam ocupados Não tinha outra opção e o melhor era dormir no carro novamente. Não sei o horário exato que dormi, mas pretendia acordar às 4h para sair com alguma folga de tempo. Coloquei o celular para despertar e apaguei.
Acordei para o terceiro dia de PBP. O Lacerda, disse, tu tem tempo dorme mais uma hora e não se preocupa que eu te acordo. Acho que nem respondi e dormi. Acordei novamente, ou fui acordado, e está uma hora fez muita diferença, me sentia melhor. Fui para o café, comi algo, peguei a bike no estacionamento, ainda bem que deixei bem em um canto, senão não saberia onde estava entre as centenas de bikes. Chuviscava a estava escuro, passei creme gelado contra assaduras e sai.
Estava motivado e concentrado. Limpei os pensamentos e a única coisa era pedalar, ver a paisagem, curtir pequenos momentos e conversas no caminho. Estava bom estar pedalando o PBP. Não tinha noção exata do tempo, continuava sem olhar as horas e não me preocupava com a chegada, mas com pedalar no ritmo que seguia sem estar cansando, ver lugares de dia que não havia visto antes, por ter passado durante a noite. Não sabia se era antes de ½ dia, ou de tarde, se era mercredi, jeudi ou vendredi. As minhas preocupações eram: não perder a concentração, não perder tempo, não estragar a bike novamente e não cair de sono com a chegada da noite.
. Estava chegando onde eu queria, estava cada vez mais perto do km 900 sem estar com dores e sem estar desmotivado.
Estava sempre atento ao que estava sentindo e acontecendo. As vezes tinha quedas de pressão e em uma destas quedas eu resolvi parar e o Richardt me alcançou. Motivado e feliz gritou para eu pedalar. Ele estava motivado e consciente das dificuldades, mas não tão bem fisicamente quanto eu. Foi muito bom pedalar com ele por algum tempo, me motivei, falei alguma coisa em português e tinha um companheiro. Também foi muito bom os apoios do Denis e o Costa que nos pcs ajudavam , melhorando a moral, o que e importante. Chegamos e saímos juntos do PC de Tinteniac. Estava pedalando no meu ritmo, as vezes seguia algum grupo como um da Suécia. Antes de Fougeres deixei o Richard para trás quando ele parou em uma vila e eu segui com 2 espanhóis, 2 italianas, 2 franceses e um bando que foi se juntando atrás
Em Fougeres, comi bem, novamente não tomei café durante ou depois de comer, e deitei um pouco antes de sair, isto ajudou muito! Tinha medo de deitar a beira da estrada, dormir e não acordar, coisa muito comum neste PBP!!!!. Comprei café e uma lata de coca cola, levava o café na garrafa de água no bagageiro.
Em Fougeres estava chovendo e depois disto também, mas confesso que as coisas ficam um pouco confusas. A sensação agora é que foi tudo tão pouco, ou tudo se limitou a repetição das pedaladas. Em um controle perguntei para uma senhora o horário que fechava o pc e depois perguntei que dia era hoje O importante era o seguinte, a noite estava chegando. Uma pedalando, outra dormi em Loudeac, mais uma em Loudeac novamente e eu estava na quarta noite de PBP, a ultima! Para dormir tinha que chegar com folga de tempo nos pcs. Para pedalar mais lento tinha que ter folga de tempo. Para ter folga em caso de pane na bike o mesma coisa. Estava mantendo, mais ou menos, o meu planejamento e os principais itens eram chegar com folga de tempo nos pcs, não parar muito tempo, evitar paradas desnecessárias, comer bem, beber, economizar energia, estar com a cabeça em dia,.
Cheguei em Montagne au Perche a meia noite e 30 minutos. Carimbei o ‘livrinho de rota”. Cada chegada nos PCs ( controles) eu alcançava o cartão magnético para o voluntário da mesa que passava no leitor. Era uma satisfação porque sabia que naquele momento alguém deveria estar no Brasil acompanhando a prova e sabendo: O Faccin chegou no PC de Mortagne au Perche. Estava feliz por saber que alguém estava torcendo por min.
Deitei no chão perto da entrada ao lado de outros malucos.
Só faltava mais um e a chegada.
Dormi 15 minutos e acordei com frio, mas sem sono e bem mais descansado. Tomei café, comi algo e segui. Tinha folga de tempo, poderia dormir mais, mas peguei mais café e Coca Cola e fui.
Tinha muita subida novamente, chuva, e escuridão.
Sai de Mortagne praticamente sozinho, mas não demorei e alcancei alguns ciclistas e pedalávamos a alguns metros uns dos outros.
O sono! Muito sono na ultima noite. Em alguns momentos, enxergava coisas na estrada que não existiam. Um poste branco e eu avistei um policial francês. Uma sombra no asfalto e eu avistei uma mulher. Balançava a cabeça e as imagens sumiam.
A luz da bike formava uma imagem redonda, as coisas cruzavam por este circulo como em um túnel, o túnel do tempo, um túnel de sono, algumas vezes desliguei o farol, mas o sono continuou. O café, a Coca Cola e a guaraná pareceram sem efeito, mas deve ter feito sim.
Estava chegando no horário do sono, para min o mais critico que é entre 5 e 6h da manhã, na ultima noite de um pbp. Algumas vezes fiz um zigue zague na pista, parei onde havia luz, bebia água, caminhei, mas não melhorei muito, mas segui. Um italiano de 46 anos, que eu nunca vi, me perguntou se não tinha alguma coisa ou se o PC era longe, não lembro, mas entendi bem e respondi em italiano. Acho que quem estava respondendo era a minha alma! Andamos algum tempo perto um do outro, mas não tanto já que ele andava em zigue-zague bem maior que o meu.
Cheguei em DREUX, ultimo PC era cedo e tinha tempo suficiente para fazer os mais 78km até a chegada. Era dia e era o ultimo dia do PBP, o quarto dia!
Dormi 15 minutos com a cabeça em cima da mesa e acordei com alguns franceses que estavam comentando sobre algo pouco comum, ver a camisa do Brasil no PBP. Muito simpáticos estavam pedalando juntos o terceiro PBP. Conversei um tempo com eles e me avisaram que tinha mais 3 subidas fortes até a chegada. Tomei café, comi e estava lento, perdi um tempo comendo, mas perdi mais tempo na fila do banheiro.
Segui pedalando rápido por uns 30 km e depois chegamos em varias subidas em uma floresta e eu fui no ritmo normal sem muita pressa. Estava acabando o PBP. Estava com um misto de alegria e tristeza. Tinha passado tanto tempo, esperando, planejando e pensando e já estava acabando.
Cheguei a uma planície chata e sem graça, mas talvez sem graça estivesse eu, mas não tinha muito o que ver.
Nesta planície faltavam placas, que foram roubadas com certeza, alguns ciclistas seguiram em direção errada. Eu parava e olhava e carta e as placas nas outras direções.
A emoção da chegada: estava acabando mesmo?
Faltavam uns 25 ou 30 km para a chegada e avistei 3 ciclistas dormindo na grama em uma esquina. Gritei, sem parar, mas não acordaram, fico pensando será que acordarão a tempo?
Próximo a chegada choveu de novo e eu me molhei, estava com a camisa do Brasil e queria chegar com ela, sem colocar o corta vento. Muitos semáforos fechados, gente torcendo a gritando e cheguei as 12h e 26minutos. O Lacerda e o César Barbosa estavam lá. O César me alcançou bandeira do Brasil que eu fui segurando. Cheguei com outros ciclistas, alguns eram amigos do Jorge e estavam perguntando por ele, mas eu não tinha informações.
Fiquei um tempo no ginásio conversando com o pessoal, encontrei a Dinamarquesa e o marido, as italianas, outros italianos perguntando da prova, do Brasil, alegres. Que chulé naquele ginásio! Muitos ciclistas dormindo nas arquibancadas, descalços e com pés brancos. O Lacerda me levou de carro para o hotel, poderia ter ido pedalando, mas deixei a bike para o César.
O dia seguinte:
Depois do café fomos devolver o carro alugado para o apoio. Na volta avistamos 3 ciclistas. Uma mulher chorando, um outro arrumando a bagagem e um outros saindo. Eles ainda estavam na estrada retornando para Saint Quentin. Eles ainda estavam no Paris Brest Paris, devem ter dormido no caminho, ou simplesmente não haviam chegado a tempo, mas como a prova é sem apoio estavam na estrada.
Outros comentários rapidos
- Lixo na estrada jogado por ciclistas, inclusive roupas e calçacos;
- Avistei várias vezes carros de apoio escondidos nas estradinhas;
- Alguns trechos da asfalto são ásperos e não são tão bons, como por exemplo, as estradas do audax 600 de Campinas. As estradas não são tão sujas como as do Brasil, mas independente disto vi muitos ciclistas com pneus furados.
- Avistei muito ciclista parado telefonando na beira da estrada;
- O Paris Brest Paris tem muita subida e dizer que o percurso é plano não é 100% certo!

domingo, 4 de novembro de 2007

Vídeo dos brasileiros no PBP2007

O Dênis fez uma colagem de várias fotos dos brasileiros que foram ao PBP2007 e publicou no Youtube, vale a pena dar uma olhada para se inspirar para 2011.

Audax 200 em Ubatuba


O pessoal de SP tem uma oportunidade de fazer um Audax fora do calendário oficial, o Antônio Costa está convidando para o Audax de Ubatuba que será realizado dia 1o. de dezembro.

Mais informações no site do Audax Brasil.