quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Relatos PBP - Cézar Barbosa

Um pequeno Relato
Estou retornando hoje da Italia depois de ter enfrentado uma grande pedreira no Paris Brest, não conseguir completar a prova por consequência de alguns transtornos que tive que enfrentar antes e durante a prova, para começar tive minha bagagem estraviada em Madri juntamente com minha bike por 5 (Cinco) dias, só recebi a bike no dia 18/08 as 23:00 hs faltando algumas horas para fazer o ckeck-in que seria no dia 19/08 as 14:30, precisei montar a bike as pressas durante a madrugada para ter que apresenta-la no dia seguinte, após passar essa primeira barreira fui para a largada no dia 20/08 e depois de achar que estava tudo bem quebrei o cambio com 50 km de pedal as 00:30 hs da madrugada depois de enfrentar uma estrada com uma longa subida, onde não havia luz, cercada de arvóres e os pelotões que vinham atrás passavam em disparadas sem poder parar para dar apoio, tentei socorro por varias vezes, mas as linguas faladas eram todas diferentes, haviam 5.300 ( Cinco mil e trezentos) ciclistas e eramos apenas 14 ( quatorze ) Brasileiros, cada pelotão saia com 600 ( Seicentos) ciclista e isso tornava impossivél alguem parar numa descida para prestar socorro, minha saida era tentar reparar o cambio, mas uma das roldanas tinha soltado e como nunca tinha ouvido falar que isso poderia acontecer não levava uma sobresalente, achei que a melhor solução seria retirar o cambio e interliagar a corrente direto coroa-pião, mas isso foi em vão porque conseguir quebrar os pinos dos dois trocadores de corrente que tinha e decidir empurrar a bike ate um lugar onde houvesse luz para tentar uma outra alternativa, essa manobra me rendeu 36 km, quando aparecia as subidas eu empurrava e mandava ladeira abaixo quando vinha as descidas, na verdade me precipitei um pouco, pois se soubesse que só iria encontrar por socorro à 36 km teria sido melhor ter esperado amanhecer onde a roldana havia caido, assim procura-la com a luz do dia, mas isso seria apenas hipotese. Após isso conseguir um socorro de um cara que passava de moto, mas o cara só falava em Françês, tentei um "do you speak inglish", mas nada, "Parlez-vous Portugues", piorou o negocio e apartir dai passamos a nos comunicar atavés de gestos, assim ele retirou do bagageiro um alicate onde tentei retirar um elo para encurtar a corrente, mas não tive resultado, depois de varias tentativas ele falou que sentia muito ( je regrette, Au revoir!) e partiu, segui empurrando minha bike e derrepente apareceu um taxi com um senhor falando um Espanhol meio atrapalhado dizendo que o filho havia mandado um um material era um martelo e um pino para que eu consertasse a corrente, aquilo foi o maximo e por um instante achei que estava novamente na prova, fiz a redução e entreguei as ferramentas para o Sr agradecendo com um Merci Beaucoup, mas a redução da corrente não foi suficiente e a essa altura o senhor já havia partido, voltei a empurrar a bike ate a entrada da vila TremblayLes Roy, isso já devia ser umas 04:00 hs da manhã e fazia muito frio, resolvir segui mais a frente saindo do trajeto pensando em encontrar alguma loja de bike, mas não existia nada apenas uma cidade fantasma e para melhorar as coisas começou a cair uma pequena chuva, corri para o ponto de onibus me abrigando na cabine do ponto, a chuva durou uns 40 min e quando decidir voltar para a estrada conseguir encontrar com o pessoal que havia largado para fazer 80 hs, por duas vezes conseguir socorro, mas não deu resultado apesar de encurtar a corrente não conseguia fazer a fixaxão coroa X pião, assim decidir empurar novamente a bike para ficar mais proximo do Pc. Já começava a amanhecer e avistei um carro parado num cruzamento encentivando os pelotões que passavam e por acaso ele tinha um trocador de corrente no carro, me animei reduzir um pouco mais a corrente pensando em melhorar a pressão, mas realmente não era meu dia, novamente não deu certo, mesmo sabendo disso não queria me entregar, não acreditava no que estava acontecendo, olhava para frente e só conseguia ver uma estrada longa cercada por dois campos com alguns montes de feno, era 08:00 da manhã quando perguntei quantos km faltavam para o PC e o rapaz que estava me socorrendo falou que teria + - uns 120 km, peguei a bike e sair desesperado empurrando a bike, mas dessa vez não podia mais contar com as descida porque a estrada era plana, depois que empurrei a bike uns 3 km escutei um barulho de moto e era o cara que havia ido na casa dele buscar um cambio para me ajudar, novamente meus olhos brilharam e vcs precisavam ver a alegria que o cara ficou quando me viu sorrir novamente, rapidamente peguei o cambio e percebi que era um cambio de Speed e a furação do garfo não casava, novamente utrapassando a velocidade da luz pensei em usar somente a roldana, fiz a instalação mas não conseguia passar a corrente corretamente pelas roldanas, nesse momento parou um carro com três fiscais da prova e tentaram me ajudar, mas tambem não conseguiram achar a posição correta para a corrente, simplismente estavamos cegos, eu pelo "Stress" e eles por não conhecerem o sistema, mediante isso eles decidiram colocar minha bike no carro para levarar a uma loja de bike a 30 min de carro e fazer o reparo, não queria ir por medo de ser eliminado da prova, mas os caras falaram para meu amigo socorrista para não me preocupar que eles me levariam para o reparo e depois me deixariam ali no local novamente, assim eu retirei as rodas da bike e coloquei no furgão, apartir dai começei a olhar para o relogio que começava a girar numa velocidade incrivél, parecia que eu estava indo para o infinito, quando chegamos na loja era 10:10hs ainda tinha perdido a esperança, mas meu pensamento me induzia a fazer o percursso mesmo que não encontrasse os pcs abertos. As 10:25 hs estava colocanco minha bike de volta no carro para ser tranportado ao local que havia quebrado nas mediações de Mortagne Au Perche a 140 km, chegamos ao local as 10:45 e faltava 82 km para o Pc que fecharia as 12:10 hs, parti para Villanes La juhel a todo vapor, não enfrentei muita subida o terreno era tranquilo ate chegar na serra, mas como estava querendo chegar a tempo, nada me assustava e assim fui ate chegar no PC1 as 13: 50.Quando enterei na cidade não encontrei ninguem apenas aalgumas barracas montadas e algumas pessôas conversando, fiz a volta e partir para o Pc 2 sem mesmo procurar saber se ainda tinha alguem carimbando os passaportes, o proximo pc estava no km 310 em Fougerés e fecharia as 18 hs, eu tinha 82 km para pedalar em 3:00 hs e 10 min, isso parecia facíl porque a estrada era plana, mas quando cheguei em Lassay Les Vallees minha corrente quebrou, depois desse acontecimento joguei a toalha, parei em uma esquina e as casas estavam todas fechadas, havia um posto de gasolina, mas sem nenhuma pessoa para atender me restando apenas uma cabine telefonica onde já estava pensando em me abrigar para passar a noite, eis que surge um Anjo da Estrada perguntando em um inglês fluente se eu precisava de socorro, falei que sim, ele perguntou se estava participando do Paris Brest e perguntou para onde eu estava indo, falei que iria para Fougeres, mas como minha corrente estava quebrada gostaria de voltar para Villianes la Juhel, prontamente fui atendido e voltamos os 46 km para a vila, onde ele me deixou em um hotel bem proximo do PC, após isso agradeci e deixei um cartão dizendo que se um dia ele fosse ao Brasil para fazer contato, pois queria retribuir a grande ajuda recebida. A essa altura eu já estava moido e parecia que estava voltando dos 1200 km, guardei a bike do jeito que estava e fui tomar um banho para depois ir ate o restaurante do hotel para comer um prato de massa, eu estava dormindo sentado e por pouco não cair com a cara no prato, isso era 22 hs estava precisando dormir porque pela manhã iria retornar os 220 km pedalando de volta a Saint Quentin, desmaiei e as 08:00 hs da manhã acordei, fui para o café e comi feito um Leão, sabia que o retorno seria dificíl, pois havia descido bastante, antes de sair para consertar a corrente pedir ao recepcionista para ligar no hotel em Les Gatines avisando que eu estava voltando para lá e chegaria por volta das 21:00 hs. Quando cheguei na praça onde tinha uma loja movél de reparaos, pude encontrar alguns audaciosos que já estavam voltando de Brest, aquilo me deixou tão pequeno, mas logo me recuperei quando o cara da loja falou que eles eram ciclistas profissionais e estavam correndo para fazer a prova abaixo de 48 hs, tinham todo suporte necessario para isso, eles tambem quando me viram ali parado ficaram surpresos, acharam que eu já estava retornando também, fiz meu reparo e tomei a seta de Retour voltando para Paris. Quando sair de villanes la juhel eram 09:30 hs e tinha 220 km para rodar, pensei em fazer um pedal de ida e volta a Saquarema, coisa que faço na maior tranquilidade, mas havia esquecido que o retorno era por uma estrada diferente, o tempo estava começando a ficar feio e aquela nuvem escura de chuva começava a me acompanhar, como nos filmes de desenho, seguir em frente tentando acompanhar os ciclistas que passam por mim como se estivessem começado a prova naquele instante mais isso era impossivél, pois eles passavam em equipe revesando o vacuo, achei melhor esquece-los e fazer meu ritimo. Voltei fazendo cicloturismo, fotografando as vilas por onde passava, As 12:30 hs estva chegando a Mortage au Perche e parei para comer uma bagete de Jamon com quijo acompanhado de uma caneca de chopp, depois disso passei pelo banco que havia descançado na tarde anterior e seguir rumo a Dreux. Eu estava pedalado muito leve e os carros quando passavam por mim sempre gritavam Bon Courage, buzinavam para incentivar e houve um momento inesquecivél, passou por mim nba subida e parou lá na frente, quando cheguei proximo um sr retirou uma sonfona do carro e começou a tocar gritando Bon Courage, Bon Courage...., Fiquei super emocionado com aquele gesto e imaginei como iria me sentir caso realmente estivesse terminando a prova, naquele momento as lagrimas apareceram em meus olhos, mas era de alegria por aquele gesto nunca visto antes, depois disso começei a pedalar com muita garra e apenas fui acompanhando a seta de Retour, derrepente deparei-me com o ginasio de Dreux, cheio de bandeiras e um aparato todo especial para a chegada dos audaciosos, quando entrei no funil fui ovacionado pelas pessôas, algumas pessôas gritavam Primeira Recumbent, os flash das maquinas ofuscavam minha visão e rapidamente os organizadores foram pegando minha bike, eu sem entender nada fui levado ate o ginasio quando pediram meu passaporte viram que não tinha nenhum carimbo e sim uma advertência de 2 hs, foi um silêncio total, falei que havia dessistido estava apenas voltando para Saint Quentin, foi uma decpção total e quando voltei para apanhar a minha bike pude encontrar os organizadores que haviam me ajudado ate a loja, depois disso peguei minha bike e segui novamente para Paris. Estava faltando 70 km e já eram 17:30 hs, seguir uns 10 min ate sair do funil de Dreux e assim que começei a pagar a estrada a chuva apertou, após isso simplismente o vento veio junto e para melhorar a estrada ficava entre os campos de feno, com o vento de frente a bike não saia do lugar, eu que estava sonhando com um banho quente e uma cama quente começei a rezar para que aquele vento parasse, assim o frio não seria tão intenso, mas minhas preces não foram ouvidas e minha previsão igualou-se a da mãe Dinah, só cheguei ao hotel as 00:15 hs, encontrei a recepção fechada sem a chave do quarto, depois disso cheguei a conclusão que estava cagado de urubu como diz a giria, o hotel estava um deserto e a chuva continuava, peguei minha bike e fui ate outro hotel proximo ao nosso, mas não havia ninguem lá tambem, simplismente eles fecham a portaria as 23:00 hs e pronto, minha salvação foi quando vi uma luz acessa em um apartamento onde bati e pedir um cobertor para poder deitar na portaria de vidro da recepção, como tinha uma muda de roupa seca no meu bagageiro pude trocar pela roupa molhada, as 03:00 da manha fui surpreendido com a entrega dos jornais que para meu conforto pude forrar o chão e deitar um pouco aguardando ate as 06:30 hs quando o recpcionista chegou para preparar o café dos hospedes.

Au revoir!...
Paris- Brest
Cezar Barbosa

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