sábado, 29 de setembro de 2007

Calendário Audax 2008 - PROVISÓRIO

Alterado em 29/09 às 7:46. Incluídas as provas do RJ e SC.

Segue abaixo o calendário PROVISÓRIO do Audax para 2008. Certamente ele sofrerá ainda várias alterações, tem alguns organizadores que ainda estão enviando as suas datas. Teremos mais algumas provas no RS e possivelmente em MG.

Se tem alguém pensando em organizar alguma prova, mande um comentário que daremos as dicas de como proceder, ou faça melhor, se associe ao grupo de Organizadores de Audax de 2008 que lá sempre tem alguém disposto a ajudar.Clique na imagem para aumentá-la.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

PBP na Imprensa

Saiu na revista VO2 desse mês uma reportagem de 3 páginas sobre o PBP2007. Nele é contada a história da prova e a participação dos brasileiros.

Não vamos reproduzir o material, por enquanto, aqui no blog em respeito ao esforço jornalístico da revista em fazer tal reportagem. Quem quiser ler, e vale a pena a leitura, vai ter que ir na banca.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Segue abaixo convite para o Audax 200 de Santa Cruz do Sul - RS à ser realizado dia 02/12, quem manda o convite é o Marco Antônio Valim que é o organizador da prova.

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Olá pessoal!

Esta mensagem é um convite.

Um convite para reiniciarmos a corrente e os eventos Audax.

2008 vai começar mais cedo para quem quiser encarar desafios.

Dia 02 de dezembro sairá mais um brevet Audax de Santa Cruz do Sul, já valido para a série de brevets de 2008.

Em um percurso por caminhos inéditos pela série Audax, sairemos de Santa Cruz em direção a Encruzilhada do Sul, fechando os 200 kilometros no retorno.

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Cronograma:

Inscrições: 12/11/2007 a 23/11/2007 de novembro
Vistoria: 01/12/2007 das 14:00 às 20:00
Janta: 01/12/2007 às 20:00
Prova: 02/12/2007, domingo

Largada: 06:00
Encerramento Parcial: 14:00, 15:00, 16:00, 17:00 e 18:00
Prazo Limite: 19:30

Encerramento Final: 19:45

Características:

1. Prova não competitiva visando a obtenção do brevet Audax 200km para os participantes que fizerem o percurso em veículo de tração humana em menos de treze horas e trinta minutos.

2. Percurso totalmente asfaltado pela BR 471.

3. Todos os partcipantes estarão cobertos por seguro contra acidentes pessoais.

4. Nos dois postos de controle, um em Pantano Grande e outro em Encruzilhada do Sul haverá fornecimento de água e lanches e disponibilidade de reparos básicos no equipamento.

5. Haverá resgate para os participantes que não puderem encerrar o percurso, levando os participantes de volta a Santa Cruz do Sul.

6. Apesar das facilidades apontadas nos itens 2 a 5, ressalta-se que o espírito de autosuficiência deve ser seguido por todos os participantes, que são os responsáveis por tudo o que for necessário para conseguir cumprir ao objetivo da prova. À organização cabe somente o registro do feito do atleta participante.

7. Valor das inscrições: R$50,00

8. Forma das inscrições: via internet http://www.faccinadventure.com.br/

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Calendário Audax 2008

Quem estiver pensando em organizar alguma prova em 2008 trate de se agilizar. O pessoal está querendo fechar o calendário até 6a. feira para mandar à Paris.

Temos várias provas confirmadas até agora, teremos em 2008 mais provas que nesse ano. As principais novidades no RS são uma prova de 600km e a volta de Porto Alegre ao calendário.

Assim que o calendário estiver fechado divulgaremos aqui.

domingo, 23 de setembro de 2007

PBP na 3a. idade!

Enquanto não é publicado o resultado oficial do PBP a organização está disponibilizando algumas informações em sua página e lá apareceu por esses dias alguns dados bem interessantes.

O principal deles é o número de atletas por faixa etária, lá aparece o número de inscritos, quantos largaram, desistiram, completaram, chegaram fora do tempo... A faixa etária mais alta, 70 ou mais anos, teve 60 inscritos, mas desses apenas 15 conseguiram chegar ao fim da prova.

sábado, 22 de setembro de 2007

Fotos de Pelotas

Taí um pequeno álbum do Audax 200 de Pelotas.

A primeira foto é do Udo, as demais o Luís Carlos mandou para publicarmos no blog, pena que ele ficou sem baterias após o PC2. Vamos ver se conseguimos pelo menos uma foto de todos os que largaram nessa prova do fim de semana passado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Audax 200 em Campos do Jordão - SP

O Antônio Costa está avisando que acontecerá um Audax em Campos do Jordão - SP, no dia 20/10. Como de vez em quando passa algum paulista por aqui está dado o recado, mais informações no site do Audax Brasil e no cartaz abaixo.

75 Audax


Os 4 ciclistas da foto, eu, Bagatini, Udo e o Edimar (Graxa) possuímos em conjunto 75 brevet´s em provas de Audax no RS. O Graxa já concluiu 23 provas, o Bagatini 21, eu 18 e o Udo 13! Tão divertido quanto pedalar uma prova dessas é o antes e o depois, o Udo e o Bagatini foram pedalando até Pelotas, ou seja, antes da prova tinham pedalado pelo menos 300km, mas como ninguém é de ferro eles voltaram de carro comigo.

Sair para jantar com os 3, mas principalmente com o Graxa e o Bagatini, é passar vergonha na certa. Em 2006 no Audax 200 de Lajeado o Graxa comeu 1,85 kg no buffet livre oferecido aos ciclistas, imaginem esse pessoal num rodízio de pizzas. Essa foto foi tirada no sábado à noite antes da prova, como não fomos expulsos de lá, eu, o Bagatini e o Udo voltamos no domingo para desespero do dono da pizzaria.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Audax Pelotas - O meu relato

Completei nesse fim de semana o meu décimo Audax 200 e como não poderia deixar de ser, aprendi mais um pouco. Aprendi que enfrentar mais de 100km de vento contra exige muito mais do que um bom par de pernas, exige paciência, perseverança e companheirismo. Pois, se unirmos vento contra com um número interminável de sobes e desces pela coxilhas rio-grandenses temos a receita de uma prova dura, por sinal, mais dura do que eu esperava.

A ida, com o vento à favor, foi uma maravilha, me senti o Lance Armstrong pedalando a mais de 30km/h morro acima. Ao me dar conta que era o vento e não o preparo físico que fazia eu e o Mogens irmos bem mais rápido do que imaginávamos ir, me preocupei em não perder muito tempo com paradas inúteis, pois a volta seria difícil e não era aconselhável desperdiçar tempo.

Apesar de algumas colinas que não estavam no planejamento chegamos no PC1 com uma boa velocidade média, ficamos menos de 15 minutos parados e seguimos. Uns 20 km depois desse PC começaram as subidas, e não eram apenas subidas era um soooobe e desce que não terminava nunca, ou melhor depois do km 85 era praticamente só subidas. Faltando uns 2 km para o PC2 o Mogens furou um pneu, nesse momento o Graxa e o Bagatini nos alcançaram e seguimos juntos até o Posto da PRF onde o Luiz e alguns voluntários nos esperavam.

Ficamos menos de 20 minutos e começamos a voltar. Nos primeiros metros já deu para perceber que havíamos tomado a atitude certa em não perder tempo na vinda, o vento era de frente e não era possível nas retas pedalar a mais do que 15 km/h, nas descidas não passávamos de 30km/h. Nesse momento estávamos eu, o Bagatini e o Mogens juntos, num ritmo bem lento, mas suficiente para chegarmos com folga. Depois de uns 20km pedalados comecei a perder rendimento, certamente causado pela pouca quantidade de alimentos consumida ao longo da prova. Nas subidas mais fortes eu engatava a coroinha e subia a uns 7-8km/h, nessa altura da prova os meus parceiros tinham de me esperar ao fim de cada subida. Desse jeito conseguimos chegar ao PC3, foram cerca de 55km que levamos mais de 3 horas e 30 para percorrer!!! Lá me alimentei devidamente para seguirmos até o centro de Pelotas.

Do PC3 até Pelotas tínhamos os primeiros 20 km de sobe e desce, depois a estrada ficava mais plana. O nosso trio foi modificado, saiu o Mogens, que foi na frente e entrou o Udo. Com o anoitecer e a aproximação do centro da cidade tivemos de redobrar os cuidados, principalmente na BR116 e no centro da cidade. Em algum momento "perdemos" o Udo e acabamos chegando eu e o Bagatini juntos depois de 215 km e 12 horas e 20 de prova. Foi o meu Audax 200 mais comprido e onde o vento foi um fator de desgaste físico e psicológico muito grande.

Vou ver se amanhã eu baixo as fotos e os filmes que fiz durante a prova, se o pessoal de Pelotas estiver lendo esse relato peço que me mandem as suas fotos, pois eu para variar, só tirei uma meia-dúzia.

Histórias sobre o Paris Brest Paris 2007

Palestra, ou talvez melhor dizer, Histórias sobre o Paris Brest Paris 2007

Quando:
Neste próximo dia 20 de setembro às 19h;

Onde:
Churrascaria Industrial do Gringo
Av. Castelo Branco nº 800
Distrito Industrial
Santa Cruz do Sul,RS
51 3717-2842
Sala reservada

Para quem quiser jantar:
Buffet livre R$9,00
Espeto Corrido R$15,00

O convite é aberto a todos!
Não é preciso confirmar presença!

Eu e o Erich estaremos lá conversando um pouco sobre o Paris Brest Paris e mostrando algumas fotos.
Existe a possibilidade de outros brevetados no PBP estarem presentes, mas ainda não temos a confirmação!

domingo, 16 de setembro de 2007

Audax Pelotas - 108 km de vento contra

Ocorreu hoje o Audax 200 de Pelotas. 12 ciclistas largaram e houve apenas 1 abandono, a tônica da prova foi um vento muito forte que dificultou muito a segunda metade da prova. No meu caso pessoal, fiz os primeiros 108 km em 5:10, saindo de 4 metros de altitude e chegando a quase 400, mas na volta levei mais de 7 horas mesmo tendo a favor todo esse desnível.

Amanhã tem mais informações. Para ver 2 fotos da largada é só acessar o site www.pinhalivre.org.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Audax de Pelotas já começou!!!

O Audax de Pelotas já começou para o Udo e para o Bagatini! Tinha que ser os 2! O Bagatini saiu de Lajeado ontem à noite e passou por Vera Cruz onde se encontrou com o Udo, acredito que tenham esperado até hoje pela manhã para seguir adiante.

Hoje devem chegar a Pelotas e amanhã ao invés de de descansar têm programado um city-tour ciclístico de 90 km pela cidade da Fenadoce, que infelizmente só acontecerá novamente em 2008.

Para saber um pouco sobre esses dois malucos tem uma história muito boa do Udo num Audax 400 que ele fez de barra circular e o best seller do Bagatini contando a sua aventura australiana do Audax 1200 de 2004.

Previsão de tempo para o Audax 200 de Pelotas



Clima quase perfeito para domingo, pouca ou nenhuma chuva e temperatura um pouco baixa ao amanhecer, mas melhorando durante o dia.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Relatos PBP - Guilherme Kardel

Ola pessoal,

Pela primeira vez, escrevendo diretamente do palm. Gostaria de contar um pouco mais sobre o desenrolar da prova. Ja comecamos a escrever o relato de tudo que se passou durante este grandioso evento. Desde a largada, tudo foi muuuuuito emocionante, logo no inicio da prova, por exemplo, depois de umas 3 ou 4 horas, passamos por um vilarejo, onde apenas 4 pessoas aguardavam os ciclistas passarem, debaixo de chuva e um deles tocando acordeon para homenagear os ciclistas que por ali passavem. Criancas de todas as idades pediam para que cumprimentassem-nos tocando em sua mao, quando passavamos por eles. O ciclismo eh um esporte que esta enraizado na cultura francesa e cada vez mais ele tende a se fortalecer. Segundo informacoes dos organizadores, este ano, o PBP recebeu mais de 7000 tentativas de inscricoes, dos quais apenas 5300 foram aceitos e destes, quase metade acabou abandonando a prova. Conversamos com o Ray, um simpatico senhor londrino, que ja participava pela 6 vez, sim, sao 24 anos pedalando o PBP. Ele nos confirmou que nunca as condicoes da prova foram tao severas para os ciclistas e tambem acabou abandonando a prova. No ultimo PC, onde acabamos abandonando, foi uma tristeza. Estavamos com tempo habil para conseguir terminar dentro do tempo. Ai, paramos para que eu durmisse apenas 30 minutos, ja que vinha cambaleando ateh chegar neste ultimo. A meia hora de sono se transformou em vaaaaaaaaaarias horas de sono, onde nenhuma pessoa do PC conseguiu me acordar. Perdemos 5 horas ou mais, e isso, acabou nos tirando da disputa do tao sonhado e glorioso brevet de 1200.
Estavamos totalmente comprometidos com o sucesso do desafio, mas a exaustao acabou por nos deixar com sede de vitoria para o proximo PBP. 2011 esta por vir, 2009 tem Londres Edimburgo Londres, 1400km e, segundo o Ray, eh uma prova belissima e com muitos atrativos.

No final das contas, acabo por me sentir um vencedor de um brevet de 1000km, onde os 600km ja pedalados no Brasil ja se tornam mais faceis de se compreender e de participar.

Aprendemos muito durante a prova e este precioso conhecimento, nos fara mais aptos ainda para o proximo PBP.

Um GIGANTE abraco para todos que acompanharam o blog, e assim que tiver mais informacoes vou postaar pra voces direto no blog.

Guilherme Kardel
www.flickr.com/photos/guilhermekardel
Patrocinio: Agua Mineral Schincariol
www.aguaschincariol.com.br
Relato publicado em www.voudeschin.blogspot.com

Relatos PBP - Cézar Barbosa

Um pequeno Relato
Estou retornando hoje da Italia depois de ter enfrentado uma grande pedreira no Paris Brest, não conseguir completar a prova por consequência de alguns transtornos que tive que enfrentar antes e durante a prova, para começar tive minha bagagem estraviada em Madri juntamente com minha bike por 5 (Cinco) dias, só recebi a bike no dia 18/08 as 23:00 hs faltando algumas horas para fazer o ckeck-in que seria no dia 19/08 as 14:30, precisei montar a bike as pressas durante a madrugada para ter que apresenta-la no dia seguinte, após passar essa primeira barreira fui para a largada no dia 20/08 e depois de achar que estava tudo bem quebrei o cambio com 50 km de pedal as 00:30 hs da madrugada depois de enfrentar uma estrada com uma longa subida, onde não havia luz, cercada de arvóres e os pelotões que vinham atrás passavam em disparadas sem poder parar para dar apoio, tentei socorro por varias vezes, mas as linguas faladas eram todas diferentes, haviam 5.300 ( Cinco mil e trezentos) ciclistas e eramos apenas 14 ( quatorze ) Brasileiros, cada pelotão saia com 600 ( Seicentos) ciclista e isso tornava impossivél alguem parar numa descida para prestar socorro, minha saida era tentar reparar o cambio, mas uma das roldanas tinha soltado e como nunca tinha ouvido falar que isso poderia acontecer não levava uma sobresalente, achei que a melhor solução seria retirar o cambio e interliagar a corrente direto coroa-pião, mas isso foi em vão porque conseguir quebrar os pinos dos dois trocadores de corrente que tinha e decidir empurrar a bike ate um lugar onde houvesse luz para tentar uma outra alternativa, essa manobra me rendeu 36 km, quando aparecia as subidas eu empurrava e mandava ladeira abaixo quando vinha as descidas, na verdade me precipitei um pouco, pois se soubesse que só iria encontrar por socorro à 36 km teria sido melhor ter esperado amanhecer onde a roldana havia caido, assim procura-la com a luz do dia, mas isso seria apenas hipotese. Após isso conseguir um socorro de um cara que passava de moto, mas o cara só falava em Françês, tentei um "do you speak inglish", mas nada, "Parlez-vous Portugues", piorou o negocio e apartir dai passamos a nos comunicar atavés de gestos, assim ele retirou do bagageiro um alicate onde tentei retirar um elo para encurtar a corrente, mas não tive resultado, depois de varias tentativas ele falou que sentia muito ( je regrette, Au revoir!) e partiu, segui empurrando minha bike e derrepente apareceu um taxi com um senhor falando um Espanhol meio atrapalhado dizendo que o filho havia mandado um um material era um martelo e um pino para que eu consertasse a corrente, aquilo foi o maximo e por um instante achei que estava novamente na prova, fiz a redução e entreguei as ferramentas para o Sr agradecendo com um Merci Beaucoup, mas a redução da corrente não foi suficiente e a essa altura o senhor já havia partido, voltei a empurrar a bike ate a entrada da vila TremblayLes Roy, isso já devia ser umas 04:00 hs da manhã e fazia muito frio, resolvir segui mais a frente saindo do trajeto pensando em encontrar alguma loja de bike, mas não existia nada apenas uma cidade fantasma e para melhorar as coisas começou a cair uma pequena chuva, corri para o ponto de onibus me abrigando na cabine do ponto, a chuva durou uns 40 min e quando decidir voltar para a estrada conseguir encontrar com o pessoal que havia largado para fazer 80 hs, por duas vezes conseguir socorro, mas não deu resultado apesar de encurtar a corrente não conseguia fazer a fixaxão coroa X pião, assim decidir empurar novamente a bike para ficar mais proximo do Pc. Já começava a amanhecer e avistei um carro parado num cruzamento encentivando os pelotões que passavam e por acaso ele tinha um trocador de corrente no carro, me animei reduzir um pouco mais a corrente pensando em melhorar a pressão, mas realmente não era meu dia, novamente não deu certo, mesmo sabendo disso não queria me entregar, não acreditava no que estava acontecendo, olhava para frente e só conseguia ver uma estrada longa cercada por dois campos com alguns montes de feno, era 08:00 da manhã quando perguntei quantos km faltavam para o PC e o rapaz que estava me socorrendo falou que teria + - uns 120 km, peguei a bike e sair desesperado empurrando a bike, mas dessa vez não podia mais contar com as descida porque a estrada era plana, depois que empurrei a bike uns 3 km escutei um barulho de moto e era o cara que havia ido na casa dele buscar um cambio para me ajudar, novamente meus olhos brilharam e vcs precisavam ver a alegria que o cara ficou quando me viu sorrir novamente, rapidamente peguei o cambio e percebi que era um cambio de Speed e a furação do garfo não casava, novamente utrapassando a velocidade da luz pensei em usar somente a roldana, fiz a instalação mas não conseguia passar a corrente corretamente pelas roldanas, nesse momento parou um carro com três fiscais da prova e tentaram me ajudar, mas tambem não conseguiram achar a posição correta para a corrente, simplismente estavamos cegos, eu pelo "Stress" e eles por não conhecerem o sistema, mediante isso eles decidiram colocar minha bike no carro para levarar a uma loja de bike a 30 min de carro e fazer o reparo, não queria ir por medo de ser eliminado da prova, mas os caras falaram para meu amigo socorrista para não me preocupar que eles me levariam para o reparo e depois me deixariam ali no local novamente, assim eu retirei as rodas da bike e coloquei no furgão, apartir dai começei a olhar para o relogio que começava a girar numa velocidade incrivél, parecia que eu estava indo para o infinito, quando chegamos na loja era 10:10hs ainda tinha perdido a esperança, mas meu pensamento me induzia a fazer o percursso mesmo que não encontrasse os pcs abertos. As 10:25 hs estava colocanco minha bike de volta no carro para ser tranportado ao local que havia quebrado nas mediações de Mortagne Au Perche a 140 km, chegamos ao local as 10:45 e faltava 82 km para o Pc que fecharia as 12:10 hs, parti para Villanes La juhel a todo vapor, não enfrentei muita subida o terreno era tranquilo ate chegar na serra, mas como estava querendo chegar a tempo, nada me assustava e assim fui ate chegar no PC1 as 13: 50.Quando enterei na cidade não encontrei ninguem apenas aalgumas barracas montadas e algumas pessôas conversando, fiz a volta e partir para o Pc 2 sem mesmo procurar saber se ainda tinha alguem carimbando os passaportes, o proximo pc estava no km 310 em Fougerés e fecharia as 18 hs, eu tinha 82 km para pedalar em 3:00 hs e 10 min, isso parecia facíl porque a estrada era plana, mas quando cheguei em Lassay Les Vallees minha corrente quebrou, depois desse acontecimento joguei a toalha, parei em uma esquina e as casas estavam todas fechadas, havia um posto de gasolina, mas sem nenhuma pessoa para atender me restando apenas uma cabine telefonica onde já estava pensando em me abrigar para passar a noite, eis que surge um Anjo da Estrada perguntando em um inglês fluente se eu precisava de socorro, falei que sim, ele perguntou se estava participando do Paris Brest e perguntou para onde eu estava indo, falei que iria para Fougeres, mas como minha corrente estava quebrada gostaria de voltar para Villianes la Juhel, prontamente fui atendido e voltamos os 46 km para a vila, onde ele me deixou em um hotel bem proximo do PC, após isso agradeci e deixei um cartão dizendo que se um dia ele fosse ao Brasil para fazer contato, pois queria retribuir a grande ajuda recebida. A essa altura eu já estava moido e parecia que estava voltando dos 1200 km, guardei a bike do jeito que estava e fui tomar um banho para depois ir ate o restaurante do hotel para comer um prato de massa, eu estava dormindo sentado e por pouco não cair com a cara no prato, isso era 22 hs estava precisando dormir porque pela manhã iria retornar os 220 km pedalando de volta a Saint Quentin, desmaiei e as 08:00 hs da manhã acordei, fui para o café e comi feito um Leão, sabia que o retorno seria dificíl, pois havia descido bastante, antes de sair para consertar a corrente pedir ao recepcionista para ligar no hotel em Les Gatines avisando que eu estava voltando para lá e chegaria por volta das 21:00 hs. Quando cheguei na praça onde tinha uma loja movél de reparaos, pude encontrar alguns audaciosos que já estavam voltando de Brest, aquilo me deixou tão pequeno, mas logo me recuperei quando o cara da loja falou que eles eram ciclistas profissionais e estavam correndo para fazer a prova abaixo de 48 hs, tinham todo suporte necessario para isso, eles tambem quando me viram ali parado ficaram surpresos, acharam que eu já estava retornando também, fiz meu reparo e tomei a seta de Retour voltando para Paris. Quando sair de villanes la juhel eram 09:30 hs e tinha 220 km para rodar, pensei em fazer um pedal de ida e volta a Saquarema, coisa que faço na maior tranquilidade, mas havia esquecido que o retorno era por uma estrada diferente, o tempo estava começando a ficar feio e aquela nuvem escura de chuva começava a me acompanhar, como nos filmes de desenho, seguir em frente tentando acompanhar os ciclistas que passam por mim como se estivessem começado a prova naquele instante mais isso era impossivél, pois eles passavam em equipe revesando o vacuo, achei melhor esquece-los e fazer meu ritimo. Voltei fazendo cicloturismo, fotografando as vilas por onde passava, As 12:30 hs estva chegando a Mortage au Perche e parei para comer uma bagete de Jamon com quijo acompanhado de uma caneca de chopp, depois disso passei pelo banco que havia descançado na tarde anterior e seguir rumo a Dreux. Eu estava pedalado muito leve e os carros quando passavam por mim sempre gritavam Bon Courage, buzinavam para incentivar e houve um momento inesquecivél, passou por mim nba subida e parou lá na frente, quando cheguei proximo um sr retirou uma sonfona do carro e começou a tocar gritando Bon Courage, Bon Courage...., Fiquei super emocionado com aquele gesto e imaginei como iria me sentir caso realmente estivesse terminando a prova, naquele momento as lagrimas apareceram em meus olhos, mas era de alegria por aquele gesto nunca visto antes, depois disso começei a pedalar com muita garra e apenas fui acompanhando a seta de Retour, derrepente deparei-me com o ginasio de Dreux, cheio de bandeiras e um aparato todo especial para a chegada dos audaciosos, quando entrei no funil fui ovacionado pelas pessôas, algumas pessôas gritavam Primeira Recumbent, os flash das maquinas ofuscavam minha visão e rapidamente os organizadores foram pegando minha bike, eu sem entender nada fui levado ate o ginasio quando pediram meu passaporte viram que não tinha nenhum carimbo e sim uma advertência de 2 hs, foi um silêncio total, falei que havia dessistido estava apenas voltando para Saint Quentin, foi uma decpção total e quando voltei para apanhar a minha bike pude encontrar os organizadores que haviam me ajudado ate a loja, depois disso peguei minha bike e segui novamente para Paris. Estava faltando 70 km e já eram 17:30 hs, seguir uns 10 min ate sair do funil de Dreux e assim que começei a pagar a estrada a chuva apertou, após isso simplismente o vento veio junto e para melhorar a estrada ficava entre os campos de feno, com o vento de frente a bike não saia do lugar, eu que estava sonhando com um banho quente e uma cama quente começei a rezar para que aquele vento parasse, assim o frio não seria tão intenso, mas minhas preces não foram ouvidas e minha previsão igualou-se a da mãe Dinah, só cheguei ao hotel as 00:15 hs, encontrei a recepção fechada sem a chave do quarto, depois disso cheguei a conclusão que estava cagado de urubu como diz a giria, o hotel estava um deserto e a chuva continuava, peguei minha bike e fui ate outro hotel proximo ao nosso, mas não havia ninguem lá tambem, simplismente eles fecham a portaria as 23:00 hs e pronto, minha salvação foi quando vi uma luz acessa em um apartamento onde bati e pedir um cobertor para poder deitar na portaria de vidro da recepção, como tinha uma muda de roupa seca no meu bagageiro pude trocar pela roupa molhada, as 03:00 da manha fui surpreendido com a entrega dos jornais que para meu conforto pude forrar o chão e deitar um pouco aguardando ate as 06:30 hs quando o recpcionista chegou para preparar o café dos hospedes.

Au revoir!...
Paris- Brest
Cezar Barbosa

Organizando os relatos

Olhando atentamente verifiquei que o blog está bem mais bagunçado do que deveria estar no que diz respeito aos relatos dos participantes do PBP.

Organizei os relatos num único marcador e vi que alguns dos que eu havia recebido ou que haviam sido publicados em algumas listas não estavam no blog.

Estou publicando o relato do Cézar e do Kardel e vou verificar se não ficou mais nenhum para trás.

Quem quiser ler todos os relatos publicados sem ter que ficar procurando pelo Blog é só clicar no marcador PBPRelatos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Foto dos brasileiros antes do PBP

O Lazary mandou uma foto de todos os brasileiros antes do PBP, essa foto foi tirada no hotel onde ficaram hospedados. A identificação de todos que aprecem nessa foto só foi possível após o comentário que o Faccin postou no blog.
Da esquerda para a direita.
Em pé: David, Calvete, Richard, Klaus Rurack, Adriano Formiga, Cesar Barbosa, Erich Brack, Juan Mendes
Agachados: Denis, Luiz Lazary, Antonio Carlos Desolée Lacerda, Ricardo, Adriana, Antonio Costa e Kardel

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Chegada festiva em Porto Alegre

O Faccin e o Erich chegaram em Porto Alegre hoje no início da tarde e foram recepcionado por um grande número de amigos. Tiveram direito a faixa comemorativa e pelo número de presentes, parece que toda a parentada tirou folga para ir esperar os audaxiosos na sua volta ao RS. Quem também se fez presente foi o audaxioso Luiz Roberto Velho Lazary, que já havia retornado a Poa na semana passada e que aparece na foto entre o Erich e o Faccin.

O blog se fez representar pela Ninki que foi a nossa "correspondente" no aeroporto, a foto abaixo é dela, à noite coloco mais imagens da chegada.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Rigonax da Independência



Nesse feriado de 7 de setembro aconteceu mais uma edição do Rigonax - Ciclismo de longa distância. Para quem não sabe o Rigonax tem mais características de Audax, do que o Audax brasileiro, que por sua vez se assemelha mais ao Randounner, tem um tópico no blog que explica um pouco dessa confusão.

Nessa edição participaram 34 ciclistas, sendo que 3 deles fizeram a distância máxima (480km) e uns 20 pedalaram 200km, percorrendo a distância entre Santa Cruz do Sul e o quiosque de Muçum, que já foi PC de vários Audax.

Na foto abaixo aparecem os ciclistas que fizeram 200km em pleno 7 de setembro, junto deles tem 5 lajeadenses que fizeram cerca de 80 km com esse grupo.

O mapa é cortesia do Udo e a foto do Giovani Faccin.

PPP - Pelotas - Pinheiro Machado - Pelotas

Passado o PBP e enquanto aguardamos os relatos do demais participantes que foram até a França vai acontecer por aqui o PPP - Pelotas - Pinheiro Machado - Pelotas. Trocadilhos infames à parte, a prova acontecerá no próximo fim de semana e contará com particpantes de várias cidades gaúchas. Até onde sei, teremos ciclistas de Lajeado, Porto ALegre, Santa Cruz do Sul, Pelotas, Vera Cruz...

Pena que não terá muita gente por lá, mas é apenas o primeiro Audax que acontecerá na zona sul do estado, o tempo se encarregrá de trazer para essa prova o número de participantes que ela merece.

Quem quiser saber mais pode ler os post´s já publicados sobre essa prova, para isso é só clicar no marcador abaixo. (AudaxPelotas)

sábado, 8 de setembro de 2007

Relato PBP - David Dewaele

RELATO DAVID DEWAELE
Paris-Brest-Paris 2007
20 a 24/08/2007

Os desafios antes da prova

Participar da prova Paris-Brest-Paris 2007 foi um sonho acalentado e organizado por mais de um ano. Tudo começou em julho de 2006 e minha motivação era enorme. Falava dela aos meus amigos do grupo de pedaladas, à minha família, aos meus alunos... Mas para isso eu precisaria passar pelas etapas classificatórias (no Paraná 200, 300, 400 e 600 Km), providenciar meu dossiê de inscrição, comprar as passagens, providenciar seguros, tomar o avião e, finalmente, estar na linha de largada, no dia e hora fixados pelos organizadores. Fiz uma promessa para mim mesmo de “não abandonar a prova”. Eu me sentia psicológicmente preparado, mas o medo de que meu corpo não respondesse aos meus estímulos mentais me perseguia. Apesar das extenuantes horas de treinos solitários, das provas eliminatórias e das dificuldades do dia-à-dia superei meus medos e acreditei que, assim como durante minha luta contra a leucemia anos antes, minha perseverança e poder mental me auxiliariam a superar qualquer dor, medo ou falta de preparo físico. Foi assim que eu, diariamente, pavimentei meu caminho e preparei minhas engrenagens para enfrentar as incertezas da prova Paris-Brest-Paris.

A falta de patrocínio financeiro, de tempo para treinar e a incompreensão de meus empregadores foram algumas das barreiras que tive de ultrapassar. Não bastasse isso, no mês de julho passado, estávamos vivendo os transtornos do transporte aéreo no Brasil. Os custos, o medo dos atrasos, avarias ou extravios de bagagens me fizeram decidir pelo não envio de minha bicicleta para a França! Quem, na França, poderia me emprestar uma bicicleta equipada e adequada para a prova? Depois de vários contatos à torto e à direita, descobri que meu ex-cunhado é presidente de uma associação de triatlon... E um atleta francês, amigo do meu cunhado, gentilmente me emprestou sua bicileta: uma speed branca, preta e azul.

Um mês antes do início da prova, minha mente e meu espírito já se encontravam na França e eu continuava meus treinos aqui em Curitiba. Eu não conhecia a bicicleta francesa, mas sabia que poderia pedalar e esta informação me bastava. Eu não imaginava quão diferente ela era da minha moutain bike brasileira. Tudo o que eu sabia é que ela era mais leve! Esta informação me permitia pensar que eu seria capaz de compensar meus problemas de adpatação com um certo ganho de tempo!

No dia 12 de agosto cheguei a minha Ghyvelde natal: uma cidadezinha de cerca de 3.500 hab localizada no Norte da França. Aproveitei meu tempo para descansar da viagem, rever meus familiares, cuidar dos preparativos da prova e, o mais importante, dediquei meu tempo às pedaladas com a minha bicicleta francesa. Pedalava! Pedalava cerca de 150 km por dia, tentando adaptar meu corpo aos seus movimentos, a escutar seus ruídos e a compreender suas manias, respirando o ar da minha terra e apreciando as paisagens de minha infância! Inesperadamente, numa destas pedaladas fui atropelado por um carro! Fui jogado ao chão... ambulância, bombeiros, polícia de trânsito, pronto-socorro, exames! Tudo o que eu queria saber era se minhas pernas estavam no devido lugar e se minha bicicleta francesa estava inteira! Mesmo não tendo certeza da gravidade dos meus ferimentos, mantive sempre o ânimo e a esperança de participar do PBP.

Felizmente nada de mais grave me aconteceu, além de alguns hematomas pelo corpo e um nariz degringolado! Ufa! Pensei comigo mesmo! Que ironia do destino ! Logo eu, que havia pedalado mais de 6.000 km pelas difíceis estradas do Paraná e ruas de Curitiba sem ter sofrido incidentes desta natureza, ser atropelado por um carro no País das bicicletas, do Tour de France e do Paris-Brest-Paris! No momento do acidente cheguei a pensar que meu sonho havia acabado, porém, entendi que esta era só mais uma dificuldade a ser superada e que eu poderia pedalar o PBP.

No dia seguinte ao acidente, peguei novamente a bicicleta francesa, pisei no pedais e voltei para a estrada, agora com treinos um pouco mais leves. Agora com uma determinação ainda maior de concluir a prova. Transformei minha inflamada e ardente ira em energia e continuei meus preparativos para o PBP 2007. Chegara o momento de partir ! Minha irmã me levaria à Paris, enquanto meus pais me esperariam em Carhaix e me prestariam assistência nos postos de controle da volta.

Véspera da largada
Finalmente conheci pessoalmente parte da equipe formada por 12 brasileiros e 4 estrangeiros (o português Jorge, o inglês Simmons, o suíço Klaus e eu, francês). Dos brasileiros, a maioria era de gaúchos, um carioca, uma brasiliense Adriana. Meu primeiro contato foi com o Luiz Faccin, gaúcho de Santa Cruz do Sul, grande incentivador do grupo brasileiro. Encontrei Lazary e sua esposa que me relataram suas dificuldades com a viagem, o extravio de suas bagagens e das bicicletas da equipe brasileira. O que eu temia aconteceu! Apesar das tensões, todos estavam animados e felizes por estarem participando deste PBP-2007. Juntos, finalizamos nossas inscrições, apanhamos nossas camisetas oficiais, crachás, documentos e placas. Minha placa era a 3269. Passei o dia com minha irmã, Lazary e sua esposa e Faccin - que havia comprado uma nova bicicleta, pois a sua ficou um bom tempo perambulando pelas esteiras de bagagem dos aeroportos! Passamos bons momentos com a equipe e como se diz popularmente na França, e Faccin adorava repetir, “nous sommes cinglés, complètement cinglés!” (nós somos malucos, completamente malucos!). Estava feliz em receber a equipe brasileira em meu País, auxiliando-os em suas dificuldades com a língua francesa.
Ao chegar no local das inscrições (Gynmasium de Guyancourt em Saint-Quentin-en-Yvelines) passei por um momento bastante engraçado! Não sabia se me dirigia ao local destinado aos franceses ou aos brasileiros. Pensei e decidi pelo lado francês! Ledo engano! Minha ficha de inscrição não se encontrava lá! Então dirigi-me do lado brasileiro... também não estava lá ! Crise de identidade! Os organizadores quebravam a cabeça para loalizar meu dossiê. Finalmente o francês estava inscrito no grupo brasileiro! Francês, brasileiro, parananense, curitibano, nordiste, dunkerquois ou ghyveldois, não importa! A verdade era que as minhas grandes emoções ciclísticas eu vivi nas ruas de Curitiba e nas estradas e cidadezinhas dos Campos Gerais do Paraná.

Aproveitamos o final desta tarde para descansar. Este era o momento para fazer uma pausa, esvaziar a mente, aquietar os ânimos, e tentar respirar um pouco da atmosfera de Paris. O clima estava péssimo e a Méteo France anunciava mais chuvas, vento e frio!

20 de agosto de 2007 - largada e 1º dia

Não consegui dormir bem. A ansiedade era grande... Vesti minha camisa brasileira, tirqamos algumas fotos,e, às 16:00 H pegamos nossas biciletas e nos dirigimos ao Gymnasium de Guyancourt - pequena cidade à 20 Km de Paris - local da largada. Os últimos tratos na bicicleta, abraços e incentivos. Felizes e receosos, os 5.300 ciclistas se organizavam para partir nos lugares e horários previstos. Milhares de bicicletas, algumas fantásticas, outras nem tanto. Vi verdadeiras ferraris em 2 rodas, tandem, triciclos, bicicletas couchées (bicicletas em posição deitada), bicicletas futuristas, antigas e originais... equipamentos modernos e sofisticados e eu com minha bicicleta francesa. Estava eu bem equipado? Agora era tarde demais! Só nos restava compartilhar com todos os ciclistas de diferentes nacionalidades, acompanhantes, expectadores e curiosos a beleza do espetáculo! Os minutos que antecediam a largada se transformavam em horas!

Neste momento pensei em meus amigos, especialmente no Pedro Burba que me incentivou a pedalar, nos meus colegas da Associação Audax do Paraná, na minha família, nos meus amigos de pedaladas, na minha querida amiga que está lutando destemidamente contra uma leucemia... Um profundo sentimento de gratidão tomou posse de mim por estar fisicamente saudável, por ter uma família e amigos. Meu desejo era terminar a prova não só por mim, mas por todos aqueles que estavam comigo! Meu último pensamento foi para minha esposa que estava no Brasil observando tudo a 12.000 km de distância pela webcam.

Conversei com diversas pessoas, na maioria curiosos que queriam saber um pouco mais sobre o Brasil. Quando chegou o momento da partida, falei para dois senhores ao meu lado: “Senhores, sou o homem mas feliz do mundo. Estou aqui na França e vou realizar um sonho, o meu sonho!” Estava muito orgulhoso do meu percurso e de poder viver este momento. O Estádio de Gyuncourt estava cheio e após uma série de verificações dos organizadores, parti dia 20/08 às 21:30h com um grupo de 500 ciclistas, dentre eles o gaúcho Faccin e o português Jorge.

Quando sôou o alarme e chegou o momento da partida, todos gritaram de alegria. Minha irmã tirou uma última foto e me disse “Au revoir! Bonne chance! Je veux seulement te revoir vendredi à Paris” (Tchau! Boa sorte e só quero te ver sexta-feira em Paris). Os expectadores gritavam palavras de apoio, aplaudiam e gritando nos desejavam Boa sorte! Coragem! Bravo! Allez! Eu só via as luzes traseiras vermelhas das bicicletas. Na multidão o grupo brasileiro acabou se dispersando e cada qual tomou seu rumo, seguindo sua estratégia de prova.

Os primeiros 50 quilômetros

Era noite e os primeiros quilômetros foram perigosos devido a grande aglomeração de ciclistas. Caíam caramanholas e outros pertences e apetrechos essenciais para o ciclo-turista. Nervosos, todos tentavam alcançar uma boa velocidade e um bom rítmo. Começávamos a nos distanciar de Paris e entravámos noite a dentro com chuva. Passávamos por cidades, florestas e estradas escuras. Logo, vieram as primeiras descidas que se tornaram ainda mais perigosas pois estavam molhadas.

Meu primeiro incidente ocorreu no Km 50. Pneu traseiro furado. Isto iria se repetir muitas vezes nesta jornada. Por sorte, aconteceu no meio de um vilarejo, onde uns poucos habitantes permaneciam acordados para olhar a passagem dos ciclistas. Parei e imediatamente as pessoas vieram me ajudar a trocar meu pneu. Naquele dia, estava vestindo a minha camisa brasileira e isso foi motivo para conversarmos rapidamente sobre o Brasil e a minha participação na prova.

Os desafios da prova começavam a ser desvendados. Enquanto falava, percebi que minha câmara de ar não enchia. Problemas com a bomba de ar. Finalmente, consegui encher meu pneu o suficiente para chegar até o primeiro posto de controle. Agradeci a todos e parti, pois pedalar era preciso! Era reconfortante receber o apoio e as palavras de incentivo das pessoas que nos acompanhavam na beira das estradas. Aliás, esta foi uma prática durante todo o percurso da prova.

Km 530 à Carhaix - a primeira pausa e revisão da estraégia

Vilarejos e florestas se confundiam ora pela névoa, ora pela chuva. Frio, vento contrário, umidade do ar, primeiras subidas, transpiração. O desconforto começou bem antes do previsto. Percebi pouco a pouco que esta prova requeria calma e reflexão. O mau tempo era uma variável com a qual eu não contava e era preciso tomar alguns cuidados, não perder a concentração e guardar minhas energias. A Méteo France anunciava chuvas e ventos fortes durante todo o dia seguinte. Muito frio à noite, relevo sinuoso, com subidas e descidas importantes (no total da prova foram 360 subidas e 10 Km com desníveis de altitude).

Cheguei à Carhaix, 530 km de Paris. Aproveitei para descansar, colocar roupas secas, me alimentar e checar a bicicleta. A prova era longa e percebi rapidamente que deveria mudar minha estratégia de corrida, pois as condições climáticas não eram nada favoráveis. Meu plano inicial era de começar a pedalar de madrugada, manter um rítmo forte durante o dia e descançar o máximo que eu pudesse durante à noite, para não alterar muito meu relógio biológico.

O sono, o suor, o cansaço e as dores no corpo inteiro não tardaram a aparecer. De agora em diante, eu deveria gerir meu estoque de energia aproveitando ao máximo o vácuo dos outros ciclistas, sobretudo quando houvesse vento; manter a regularidade e a qualidade das refeições; beber sempre antes que a sede chegasse; descansar pelo menos 1 hora a cada 80 km; evitar riscos desnecessários nas descidas; evitar pedalar sózinho para manter-me literalmente acordado e não me perder; pedalar no meu rítmo e em companhia de ciclistas que tivessem o mesmo desempenho que eu; aproveitar a infra-estrutura dos postos de controle para descansar e me preparar mentalmente para o próximo trecho, visualizando as dificuldades a serem enfrentadas; não fazer paradas inúteis; nas descidas com chuva, manter uma certa distância de segurança e não assumir riscos exagerados. E o mais importante, não deixar que meu corpo controlasse minha mente. Isto exigiu um esforço enorme! Em duas ou três vezes, quando meu corpo começou a reclamar muito e eu estava no limite de minhas forças, utilizei esta estratégia e consegui superar as dores e as dificuldades, não só nesta mas em outras circunstâncias de minha vida. A meta agora era manter a calma e chegar vivo em cada posto de controle !

Olhava o relógio, o velocímetro. Cantava sózinho, pensava no Brasil, na minha esposa, na chegada à Paris, olhava a natureza... Tudo para esquecer as dores e para evitar o estresse de um possível abandono ocasionado por problemas técnicos e outras surpresas que as estradas nos reservam.

Meus momentos decisivos

O primeiro, foi próximo à Loudéac, quando surgiu na minha frente, de forma inesperada e sob uma forte chuva, um senhor, aparentando 75-80 anos, pedalando com dificuldades sua velha bicicleta, e me diz, com seu marcado sotaque bretâo, Allez! Courage! Nossos olhares não se cruzaram, mas seus grito de encorajamento foi um sopro de ar fresco para enfrentar o caminho que estava à frente, o próximo posto de controle.

O segundo é estritamente pessoal e me comoveu muito. Foi quando minha mãe me relatou que meu pai havia acendindo uma vela numa igreja no meio do percurso. Eu não sou cristão praticante e acredito, sobretudo, no coração, na lealdade e na bondade das pessoas, na beleza da natureza, no poder da mente humana. Meu pai não é diferente de mim e, por isso, seu gesto me comoveu tanto. Meus pais sempre estiveram presentes nos momentos mais difíceis de minha vida e eles continuavam comigo nesta prova me prestando apoio em todos os postos de controle de Carhaix à Paris. Na ida não contei com nenhum tipo de assistência.

O terceiro, foi saber que eu não estava sózinho. Em cada posto de controle, a organização alimentava um banco de informações em tempo real e todos os meus companheiros de pedal em Curitiba, minha esposa e meus amigos acampanhavam todos os meus passos, ou melhor minhas pedaladas.

Km 850 à Fougères – os pneus de novo ?

Chovia muito e acabava de passar por um grupo de ciclistas. Estava me sentindo muito bem e confiante na minha chegada, quando mais uma vez o pneu furou! Eu havia esquecido que isto poderia acontecer novamente. Foi uma sequência de falta de sorte, de muita ira e tensão. Em 30 quilômetros meu pneu traseiro furou três vezes. Senti como se fosse alguém me dizendo: “Cuidado, a prova ainda não terminou”. Você tem que provar que você é capaz de continuar”. Entendi o recado. Mas, precisava tantas mensagens iguais? Tentei me acalmar e lembrar da minha estratégia de manter o controle e aquietar a mente frente a qualquer situação.

Neste momento, o grupo de ciclistas que eu havia ultrapassado passou por mim. Consertei o pneu rapidamente e continuei a pedalar. Minhas mãos estavam pura graxa... desconforto, mau cheiro e caramanhola escorregadia. Ultrapassei o grupo de ciclistas. Nem tive tempo de pensar e minutos depois, o pneu traseiro furou pela segunda vez! Fiquei muito nervoso pois tinha a impressão que eu não terminaria o PBP. Merde! Faltava pouco ! Reparei o pneu, pedalei e ultrapassei o grupo.

Pedalei forte... e outra vez o pneu! Desta vez, o conserto era impossível. Eu precisa de um pneu novo, pois o meu estava com um furo enorme. Pensei que a aventura havia acabado para mim. Eu não queria desistir e naquele momento estava sózinho, na mais profunda campanha francesa. Não via casas, nem pessoas. De repente, avistei dois ciclistas também solitários que se encontravam na beira do outro lado da estrada e que aguardavam a passagem dos ciclistas. Já cansado, nervoso e sonolento tomei cuidado ao atravessar a rodovia, dirigi-me a eles e solicitei socorro. Eram pai e filho, camponeses da região. Seus nomes não sei, mas guardarei sempre comigo a imagem destes anjos bretões.

Bastante ansioso disse ao jovem que eu precisava do seu pneu e que eu pagaria o necessário por ele. Quase sem opções o jovem me disse “Sim, o pneu é seu.” Estava tão nervoso que não perguntei-lhe o tamanho e as especificações do seu pneu ! De nada adiantaria se o dito cujo não fosse compatível com a minha bicicleta. Vendo minha frustração e desespero, o pai camponês disse ter um pneu em sua casa e ele acreditava ser um pneu para speed. Saiu pedalando para buscá-lo enquanto eu e seu filho nos ocupavámos de retirar o meu pneu avariado. O jovem compreendeu a importância da prova para mim e muito contente se prontificou em me ajudar no que fosse preciso. O pai camponês retorna com o pneu e me pergunta: “Qual é o tamanho dos seu pneu?” Tive um frio na espinha e respondi 23 C. O camponês disse: “Está bem, o meu também é 23 C!” Inacreditável! Que alívio! A prova ainda não havia acabado pra mim. No momento em que trocávamos meu pneu, o grupo de ciclistas passa por três outra vez e grita “Hei, seria melhor trocar a bicicleta. Será mais rápido!” Ignorei a gentil saudação e prossegui com minha bicicleta francesa! Agradeci profundamente aos dois anjos bretões que nada me cobraram e que estavam contentes por ter contribuído com o PBP.

Correr atrás do prejuízo

Voltei a pedalar e comecei a pensar o que eu deveria fazer no próximo posto de controle para superar quase uma hora de atraso. Era preciso checar a bike, comprar três novas câmaras de ar, tomar um banho, comer, beber e descansar. Sentia muitas dores nas mãos. Com o inchaço, minhas luvam cerraram minhas mãos, provocando fissuras e sangramentos entre os dedos. Como eu, outros ciclistas encontravam-se com sua mãos, pés e joelhos em situações parecidas. Cheguei finalmente no posto de controle de Villaines-La-Juhel. Uma profusão de ciclistas, curiosos, bicicletas pelo chão, muita chuva, frio e jornalistas que cobriam a prova. Eu me movimentava como um robô. Em um dado momento quando enchia minha caramanhola de água, ouvi um jornalista perguntar a uma francesa, campeã mundial de mountain bike, se ela seria capaz de percorrer 1225 km nestas condições atmosféricas? E ela respondeu “Acho que não. 1225 km é demais para mim, prefiro distâncias curtas e não gosto de pedalar sob a chuva.” Estas frases foram um grande incentivo para mim. Recuperei minha calma, descansei um pouco e retomei minhas pedaladas.

Km 1225 – a chegada à Saint-Quentin-en-Yvelines

Cheguei à Saint-Quentin-em-Yvelines no dia 24/08/2007, às 10:06 H, completando o percurso de 1225 Km em 84:36 H. Este tempo ainda não é oficial- o resultado será divulgado pelo comissão organizadora do PBP 2007 até o final de setembro próximo. Conclui a prova no tempo regulamentar no qual me inscrevi, ou seja, máximo de 90 horas.

Cheguei fisicamente exaurido, com dores horríveis no pescoço (problemas ergométricos com a minha bicicleta francesa), com bolhas nas nádegas, joelhos em frangalhos, fissuras nas coxas, dores por tudo. Some-se ainda todo o mal estar provocado pelas privações de sono – não dormi na primeira noite e nas três seguintes menos de duas horas. Na volta, após Loudéac, o celular que eu usava como alarme e despertador sofreu avarias e parou de funcionar. Nas imediações de Mortagne au Perche meu velocímetro tambéu parou de funcionar. Tudo estava ensopado d´água, inclusive eu! Perdi meus controles materiais e não sabia mais ao certo, meu tempo e quantos quilômetros me restavam a percorrer até cruzar os últimos postos de controle. Em suma, eu só podia contar com meu relógio biológico, com a força das minhas pernas e com a energia que me restava.

Eu que sou um grande dorminhoco, lutei arduamente contra o sono e, por duas vezes, adormeci diretamente no chão no meio de muitos ciclistas. Vi pessoas, em plena madrugada, dormindo em pontos de ônibus cobertos com mantas térmicas, em cabines telefônicas, nas calçadas, debruçados sobre as mesas dos restaurantes nos postos de controle... Era a resignação diante do sono, do incontrolável! A exaustão tomava conta de todos e um silêncio monástico às vezes se instaurava entre os grupos!

As relações de solidariedade que se criam entre os ciclistas são maravilhosas ! A língua não é problema e o inglês dá conta do recado. Certa noite, às três horas da manhã, numa subida, no mais profundo breu da campanha bretã, encontrei um dinamarquês e nós dois pensávamos estar perdidos. Paramos, conversamos, voltamos - não me lembro talves um 1 km - nos informamos e vimos que estavámos no caminho correto. Moral da história. A falta de sono provoca alucinações que nos desconcentram e nos fazem dispender energias preciosas! Eu, mesmo estando em meu país, tive momentos de incertezas e contei com o providencial apoio de outros companheiros!

Finalmente, cheguei à Paris fazendo um esforço descomunal para esquecer as dores nos últimos 5 ou 10 quilômetros. Ao ouvir o barulho da torcida vibrando com a chegada dos participantes, me enchi de energia e cruzei a linha de chegada à Guyancout-Saint-Quentin. Ao longe, vi meus pais correndo em minha direção. Minha mãe não conseguia conter as lágrimas. Abraçei-os e disse-lhes que mereciam tanto quanto eu. Após ter entregue meu passaporte aos organizadores, liguei para minha esposa em Curitiba, no Brasil, só para lhe dizer que eu havia finalmente conseguido realizar meu objetivo e que eu estava bem apesar da fadiga. Minutos depois, levantei minha cabeça, com o pescoço estilhaçado e as pernas latejando de dor, me deparei com uma grande faixa retorcida pela chuva e pelo vento onde lia-se: PARIS-PEQUIM 2008 de bicicleta. A semente de um possível novo sonho foi plantada dentro de mim. Mas esta, é uma outra história.

Para concluir, gostaria de agradecer a todos os brasileiros que me acolheram neste País e que me auxiliaram a concretizar este sonho, pelos incentivos e informações durante toda a fase dos preparativos no Brasil e durante a nossa curta estada na França. Aos meus companheiros de pedal de Curitiba, aos organizadores da Associação Audax Paraná, ao Pedro, aos ciclistas brasileiros, especialmente Faccin, Costa, Lazary e Lacerda, muito obrigado !

Aproveito, também, a oportunidade para parabenizar todos os participantes brasileiros e os demais estrangeiros que participaram do PBP 2007, pela audácia e a coragem demonstradas para superar os desafios desta legendária prova. Felicito especialmente o Faccin, terceiro brasileiro a concluir o PBP, pela sua conquista ! Se o destino, assim o quiser, nos veremos a qualquer hora nas estradas brasileiras ou então até 2011 na França. Au revoir ! Bye! Tchau! Até logo!

Curitiba, 08 de setembro de 2007
David Dewaele

sábado, 1 de setembro de 2007

Números do PBP2007

Informações publicadas a poucos minutos.

5317 (100,0%) inscritos
155 (02,92%) não largaram
1459 (27,44%) desistiram
3703 (69,64%) completaram a prova.

Idade média dos participantes:
Homens:50 anos
Mulheres: 46 anos

Fonte: site oficial da prova

Relato PBP - Richard Dunner

Relatório Paris-Brest-Paris 2007 (de um marinheiro de primeira viagem)


Depois do Audax600 em Campinas comecei os meus preparativos para PBP2007. Primeiro checar o material, depois ler relatorios, dar uma olhada na meteorología, fazer um plano de prova com uma planilha excel, etc. Acho que fui o campeão de planejamento.

O que eu mais questionava e me intimidava eram o tempo e a minha bunda. Assim, comecei a acompanhar regularmente a meteorología da região da prova e cheguei a conclusão que tinhamos que contar com chuva e vento e temperaturas entre 12º e 25º Celsius. A parte da bunda parecia resolvida com o meu bom companheiro Brooks Swift e 3 bermudas Assos F Uno bem cheias de chamois.

Chegando em Paris acompanhei o drama do Cezar. A reclinada dele somente foi entregue no sábado 18 de agosto à noite, com a vistoria agendada o dia 19 à tarde. Ajudei a montar a reclinada o sábado à noite e me envolvi tanto, que acho que fiquei mais nervoso do que o Cezar.

Tinha pedido umas rodas clincher novas na Alemanha para minha bicicleta, que não chegaram a tempo e como tinha trazido por precaução as minhas rodas tubulares, decidi fazer a prova de tubular como já tinha feito no Brasil. Como furou o meu tubular traseiro 25 mm dias antes da prova, coloquei um tubular novo de 22 mm e concertei o de 25 mm. Quando tudo parecia em ordem com o 25 mm, o coloquei outra vez na roda traseira, somente para descobrir que estava murchando outra vez. Isto aconteceu 5 horas antes da prova. Assim, recoloquei o tubular 22 mm umas 4 horas antes da largada.

Pela meteorologia já sabiamos que ia chover no dia 20, o dia da largada, mas que nos dias subseqüentes o tempo ia melhorar. Portanto não fiquei surpreso com a chuva na primeira noite.

Chegando na largada por volta das 17:30 entrei em uma fila de espera enorme, onde todos os participantes do grupo de 90 horas esperavam a vistoria das bicicletas e a divisão dos participantes em grupos de largada. Pouco depois da minha chegada apareceram Guilherme e Adriana que me acompanharam na espera. Acabamos esperando no agrupamento até a largada no segundo grupo as 21:50. A historia de ir jantar, nem pensar. O ambiente não era tenso, mas devido ao mau tempo tampouco era alegre.

Decidimos tentar fazer a prova juntos (Guilherme, Adriana e eu) e largamos otimistas, mantendo um bom ritmo. Ficamos juntos alguns kms até que começou a chover forte e Adriana decidiu parar para se proteger melhor contra a chuva. Esperei e continuamos juntos. Ai, depois de alguns kms em um bom ritmo, houve um acidente em uma subida onde um ciclista caiu atrás de mim. Imediatamente outros ciclistas pararam para ajudá-lo. Fiquei olhando para trás chamando o Guilherme, mas não os via nem ouvia. Assim, segui em frente em um ritmo um pouco mais lento, pensando que iriam me alcançar. Pois é, não sabia que só iría voltar a vê-los muito mais tarde.

Tentando acompanhar um grupo de ciclistas em alta velocidade, após mais ou menos 50 kms identifiquei o Cezar, na beira da estrada na escuridão parado. Parecia estar descansando. Só percebi quando já tinha passado. Ainda gritei “Cezar vamos”.

Interessantemente apesar da chuva e dos meus pés completamente molhados, não estava sentindo frio. Depois de uns 70 kms entrando em um vilarejo, de repente me encontrei na frente de uma padaria que distribuía água, pão, bolo e café, tudo de graça. Um jovem até me ajudou a encher as minhas caramanholas. Passei o restante da distância até Montagne au Perche, 140 km, pulando de grupo em grupo de ciclistas acompanhando sempre o ritmo que as minhas pernas me indicavam.

Chegando em Montagne au Perche descobri que o primeiro PC era Villaines-la Juhel após 222 km, e que era melhor continuar o mais rápido possível. Fui a caminho, e ai São Pedro mandou um dilúvio. Quase não conseguia enxergar nada e parecia estar parado em um rio de água se movimentando por toda a estrada. Para minha surpresa, apesar de molhado, continuava sem frio. Consegui manter a minha pedalada e fui me movimentando em direção de Villaines-la-Juhel. Mas aí, comecei a sentir que o meu tubular traseiro, recém colado, estava se movimentando. A cada volta dava um pancada, quando a válvula passava pelo chão. Me perguntei se iria aguentar, mas decidi continuar.

Cheguei em Villaines-la-Juhel já de dia, com um bom tempo. Não tinha notícias de ninguém, mas descobri o Denis entre a multidão. Fui ao PC para me registrar e voltei para o carro de apoio para trocar a roupa e me abastecer. Acabei trocando o tubular na esperança de melhorar a minha situação. Depois parti para o próximo PC Fougeres. Só que o tubular traseiro continuava me atrapalhando e, achando uma janela de tempo sem chuva, decidi trocar novamente o tubular embaixo de um telhado, perdendo mais 45 minutos. Continuei andando e entrei na chuva de novo, vendo o meu novo tubular se inclinando de lado, mas mantendo a posicão. Sem opção, continuei ate o próximo PC.

Cheguei bem em Fougeres, e, sem perder muito tempo, continuei para Tinténiac a etapa mais curta da prova com 54,5 kms. No caminho tentei ligar para Denis e avisei que ia precisar trocar a roda traseira. A Costa, que tinha desistido, me ofereceu a dele e eu aceitei, mas como estavam querendo me esperar em Loudeac já estavam mais adiantados, e demoraram quase uma hora para voltar a Tinténiac e trazer a roda. Cheguei a pensar em comprar uma roda na oficina do PC, mas avisei ao mecânico que pesava mais de 80 kgs, e ele não quis dar garantia. Quando chegou a roda de A Costa, troquei os cassetes, já que uso câmbio de 9 marchas.

Assim, fui embora para o PC de Loudeac com atraso, mas com bom material e cheguei no PC por volta das 2:00 da manhã com o PC encerrando as 4:45. A Costa tinha me dito que em Loudeac Adriano Formiga tinha reservado um quarto para 3 pessoas dormirem e me passou a senha. Achei a pensão mas não consegui entrar, porque não só precisava de senha, mas também de chave. Perdi uma hora na tentativa. Acabei voltando para o PC, tomei banho, e dormi no chão no meu lençol de alumínio por 2 horas e meia. Moral da historia: “Não busque! Durma!

Levantei às 6 horas, uma hora e meia depois do encerramento do PC, e fui como um foguete para Carhaix-Plouger, onde cheguei uns 20 minutos antes do encerramento do PC.

Não achando o meu apoio em Carhaix-Plouger, continuei depois de me abastecer para Brest. O tempo melhorou, até apareceu o sol e o meu espírito em geral melhorou. Acompanhei vários grupos de ciclistas e acabei chegando junto com um pequeno grupo de franceses e ingleses animados no PC. Brest, mostrou o seu melhor lado: a ponte no sol, a água do mar e o céu bem azul, os barcos branquinhos na bahia e um vento muito forte, que quase me derrubava da bicicleta. Com a metade do percurso feito, me senti muito bem.

No PC em Brest, Denis e A Costa estavam me esperando. Fui me registrar, comer e trocar de roupa, tirei as alforjes e saí cheio de ânimo para Carhaix-Plouger com sol e vento em poupa. Como falei no momento da saída: “agora vamos socar mamona”. Todo mundo deu risada.

A Costa e Denis me informaram que tiveram problemas com o carro de aluguel e por isso não conseguiram me apoiar em Loudeac.

O bom tempo e o vento de cauda me ajudaram bem para chegar sem eventos em Carhaix-Plouger e, depois de uma curta parada, continuar para Loudeac onde cheguei já de noite, outra vez na chuva, com dor nas costas na altura dos rins, que vinha administrando, mas que ia piorando, aos poucos com o acúmulo de chuva e cansaço. Conseguia pedalar bem, mas não conseguia me agachar mais. Tentei me alongar antes de dormir, duas horas quentinho no carro de apoio. Depois de dormir me senti bem melhor e, depois de abastecer, voltei para a estrada antes do PC fechar.

No caminho a Tintentiac, de repente encontrei, no meio do caminho, na beira da estrada, o Luiz Faccin parado. Gritei para ele sem parar a bicicleta: “Vamos Faccin, anda! Não pára!”. Ele me ouviu e me alcançou na próxima subida. Assim, chegamos juntos em Fougéres. Fiquei feliz de achar alguem que conhecia. No PC, sentamos e esperamos o apoio comendo uns bons sanduíches de baguette.

Saímos juntos para Fougeres, mas, no meio da etapa, dei uma parada e Luiz continuou em frente sozinho. Quando cheguei em Fougeres vi Luiz partindo, quando estava sentando para comer uma comida quente. Ai, Denis me informou que o meu pneu traseiro tinha perdido pressão e que tinha colocado outra vez 100 lbs. Sentindo as costas, pedi para colocar um pouco de Arnica em mim para esquentar a parte dos rins, e depois fui embora para Villaines-la-Juhel.

No início da etapa choveu, mas depois, “bem vindo”, parou de chover. Vendo que tinha tempo suficiente para chegar ao próximo PC, acabei seguindo um grupo de dinamarqueses, que estavam andando a 18 km/h. Achei um pouco lento, mas fiquei quieto aproveitando o vácuo do grupo.

Estava tudo indo às mil maravilhas, e achava que finalmente poderia sossegar um pouco. Mas, como se diz, depois da calma vem a tormenta. E ai começou o meu drama. Atravessando um vilarejo, de repente explodiu o meu pneu traseiro. Todo mundo virou a cabeça, parecia alguém atirando com uma pistola. Parei e tirei o pneu do aro e, quando estava vendo o que tinha acontecido, pararam dois motociclistas da organização me perguntando se estava tudo bem. Expliquei o que tinha acontecido, e imediatamente me ajudaram a colocar a nova câmara. Depois enchi o pneu e, parecendo tudo em ordem, voltei ao percurso.

O meu grupo de dinamarqueses tinha ido embora, mas já estava andando outra vez e a minha vida PBP continuava. Andei uns 15 kms e, de repente, outra vez “pffffffffffff”, murchou outra vez a roda traseira. Por sorte aconteceu na frente de um rancho entre Gorron e Ambrieres les Vallees onde achei um telhado, já pensando na próxima chuva.

Como não tinha mais câmara, pedi uma para os ciclistas que estavam passando. Um italiano, boa gente, parou e me deu uma. Verifiquei se não tinha nada afiado dentro do pneu, se o aro estava em ordem e coloquei a câmara nova. Enchi um pouco, verifiquei se estava tudo na posição e pus ar. Coloquei a roda no lugar e sentei. Então ouvi outra vez “pfffffff”. Para o meu desespero parecia ter acabado a minha prova. Na minha aflição, liguei para A Costa, pedindo ajuda. Mas Denis ficou com receio de entrar no percurso com o veículo de apoio registrado. Aí apareceu o dono do rancho, um senhor francês, perguntando se precisava de ajuda. Expliquei o meu problema, e que pensava que estava fora da prova.

Mas então, me lembrei que no livro de contrôle estavam os telefones dos PCs. Liguei para Villaines-la-Juhel e expliquei que precisava de “depannage”, um pneu e uma câmara. Me informaram que viriam imediatamente, mas que iría demorar uns 40 minutos porque era longe. O dono do rancho, muito solícito, explicou para eles através do celular como chegar ao lugar.

Fiquei mais animado, tinha a solução, ia perder tempo, mas tinha como chegar a dentro do horário, no próximo PC. O dono do lugar foi muito bacana, me deixou usar o toilete e me trouxe café e biscoitos em uma bandeja, e ficamos batendo papo até chegar a ajuda.

De repente, parou um furgão na frente do rancho, desceu um senhor da organização com pneu e câmara na mão. Imediatamente, ele e o dono me ajudaram a colocar o material novo na roda, encher o pneu, e até me empurraram para me lançar outra vez no percurso. Perguntei quanto devia, e me responderam que falasse com a oficina no próximo PC. Saí do rancho as 20:30 com tempo de sobra para chegar em Villaines-la-Juhel.

Os primeiros 10 kms, pedalei como se tivesse o diabo na cauda. Não me perguntem porque, porque nem eu saberia dizer. Acho que estava feliz de estar pedalando outra vez.

Depois das 21:00, começou a escurecer e voltou a chover aos mares. Já estava perto do PC, mas os últimos kms eram quase só de subida. O pior foi, que vi uma placa mostrando Villaines-la-Juhel a 12 kms, enquanto pelo meu odómetro, que tinha funcionado perfeitamente, faltavam 25 kms para chegar. Aí, percebi que nos mandaram por um vale lateral para fazer quilometragem. Fiquei bravo, estava cansado, cheio de raiva e comecei a papar as subidas girando a “mil” por hora. Estava me sentindo bem soltando a raiva. Ao mesmo tempo xingava em cima da bicicleta e o celular que levava junto estava apitando que a bateria estava baixa à cada X segundos. Vendo a cena surrealista, qualquer um por volta provavelmente pensou que eu estava pirando.

Cheguei em Villaines-la-Juhel às 22:30, uma hora antes do encerramento do PC. O Denis já estava me esperando no contôle. Cheguei completamente ensopado, molhado dos pés a cabeça, mas sem sentir frio. Minhas costas estavam doendo, e estava completamente travado. O plano era dormir uma meia hora e continuar. Me deitei no chão entre outros corpos e mesas e dormi. Aí, acordei e vi A Costa junto com alguém da enfermaria indicando na minha direção. Me pediram para ir para a enfermaria e passando na frente de um espelho, percebi que estava completamente inchado embaixo dos olhos. Entrei na enfermaria, me pediram para tirar a camisa para fazer uma massagem, e me deitei de bruços em cima de uma prancha. Aí, o enfermeiro me fez uma massagem nas costas, e destravou tudo. Coloquei roupa seca de novo e me perguntaram como me sentia. Falei que dava para andar.

Saímos da enfermaria, olhei para o relógio e eram as 24:00. Percebi que teria 5 horas para chegar no próximo PC a 82 kms de distância. Continuava chovendo. Pensa bem!

Fui dormir, fim de prova!

Acordei no dia seguinte no dormitorio do PC no meio de mais 4 canadenses que estavam alojados no mesmo hotel em Plaisir. John, Sarah, Trevor e um outro senhor com idade acima dos 60 anos, de quem não lembro o nome, que tinha caído na largada e estava com a mão completamente inchada. Achou que, pela lógica, não tinha quebrado nada, senão a mão não teria aguentado. Tinha feito 1000 kms assim!. Todos loucos ou todos heróis?!

Saí do alojamento e apareceram Guilherme e Adriana desolados, dizendo que Guilherme não tinha conseguido acordar e perderam a hora. Fiquei consolando eles, falei: Vocês são jovens, podem voltar sempre! Eu, eventualmente não; 4 anos é muito tempo, estou com 54 anos.

Assim mesmo, espero voltar daqui à 4 anos, a febre tomou conta.

Foi uma experiência muito boa, e gostaria de agradecer a todos os que me ajudaram durante a prova, tanto os conhecidos, A Costa, Denis, Luiz Faccin entre outros e os desconhecidos. Foi muito bom estar com um grupo de brasileiros, aventureiros e alegres em um país desconhecido.

Parabéns a todos os que tiveram mais fôlego que eu e completaram, e também aos outros que participaram.

Um abraço a todos, bom pedal, e até nossa próxima aventura.

Richard