terça-feira, 31 de julho de 2007

Audax Pelotas - mais informações

As informações abaixo NÃO foram fornecidas pelo pessoal da Organização do Audax em Pelotas. Elas são fruto de algumas observações que fizemos sobre o percurso, por isso elas podem não corresponder a topografia da região.

Pelo que estivemos olhando o pessoal de Pelotas optou por "tirar" a prova da beira do mar, pois ela seguirá em direção oeste até a cidade de Pinheiro Machado passando no caminho por algumas cidades pequenas: Capão do Leão, Cerrito, Morro Redondo e Piratini.

Olhando pelo Google Earth a estrada utilizada só passará pelo centro de Morro Redondo que fica logo na saída de Pelotas, durante o resto do percurso a estrada não passa por nenhum aglomerado urbano. Isso significa uma prova tranquila, sem muito movimento de automóveis, mas ao mesmo tempo dá muito poucas possibilidades de parada ao longo do percurso. Na minha idéia será uma prova parecida com a de Ijuí, com poucos participantes e onde se vê muito pouca coisa à beira da estrada.

Um detalhe que o pessoal de Pelotas não comentou é que a prova sai ao nível do mar e sobe até quase 400 metros de altitude no km 100 para daí voltar ao ponto de origem. 400 metros em 100km pode não ser quase nada, mas isso depende muito da topografia da região, pois essa subida pode ser lenta e tranquila ou alternar longas subidas e longas descidas. O certo é que a ida será mais difícil do que a volta.

O Armando, audaxioso de primeira hora, comentou que os últimos 20 km antes de Pinheiro Machado são subida. Pode ser que ele consiga o arquivo para GPS desse roteiro.

Quem quiser ir pedalar por lá, trate de se agilizar, pois são apenas 30 vagas.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Roteiro PBP



Existem vários caminhos que levam de Paris a Brest, mas o Luis Lazary que irá participar da prova, conseguiu a carta de rota com o roteiro oficial. Quem não vai até lá, já pode começar a babar desde agora e, quem sabe começar a se planejar para 2011.

sábado, 28 de julho de 2007

Audax Pelotas


O Audax começa a se espalhar pelo Rio Grande!! Dia 26/08 será realizado o Audax 200 de Pelotas, o trecho da prova vai até Pinheiro Machado e retorna ao ponto de origem.

Abaixo segue orientações passadas pelos organizadores de lá. O mapa é cortesia do Udo.

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Mais informações no site da prova

AUDAX Pelotas

Data Prevista : 26 de agosto com largada às 7 h

INFORMAÇÕES
1) O limite de inscrições é de 30 e o valor R$50,00 (cinquenta reais). Uma vez completado o limite de inscrições elas são encerradas.
2) O prazo de inscrição é até o dia 10 de agosto, sexta-feira,
3) A inscrição é feita preenchendo a FICHA DE INSCRIÇÃO e enviando-a para o email da organização audaxpelotas@yahoo.com.br
Isto pode ser feito ou a) salvando a ficha preenchida e a enviando como anexo ou b) selecionando a ficha e colando no corpo do email
4) O pagamento da inscrição, feito mediante depósito bancário, deve ser comprovado enviando para um email para a organização com os dados do
depósito .O depósito deve ser feito na conta Ag. 0495 op: 013 c.c: 00322016-2, da CEF, em nome de Luis Carlos Nunes Rodrigues Júnior
Esse envio deverá ocorrer até 72 horas após o envio da inscrição. Passado esse tempo, a inscrição enviada perderá o valor e será
desconsiderada. Guarde o Comprovante de Depósito original porque ele é um dos documentos a serem apresentados por ocasião da Vistoria.
5) Assim que sua inscrição for efetivada o participante receberá um email de confirmação.
4) Hospedagem (sugestões)
Hotel tourist: http://www.hoteismanta.com.br/tourist.htm
Curi hotel: http://www.hoteismanta.com.br/tourist.htm


CONTATOS:
Luis Carlos Rodrigues Júnior – audaxpelotas@yahoo.com.br
PINHA LIVRE – pinhalivre-owner@yahoogrupos.com.br
www.pinhalivre.org

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Audax Costa Verde - Resultados

Foi publicado no site do Audax Brasil o resultado do Audax Costa Verde 200, que foi realizado no dia 14/07.

Estiveram por lá os nossos amigos Cícero dos Reis Vargas e o Guilherme Kardel. O primeiro é o "cigano" do Audax no Brasil, já tendo feito provas em SP, PR, DF, RJ e RS. O segundo está em preparativos para o PBP a ser realizado agora em agosto na França.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Brasileiros no Audax 1200 km

Do RS
Luiz Maganini Faccin, Luiz Lazary, Carlos R. Calvete, Guilherme A. Kardel, Erich Brack, Adriano A. Formiga e Klaus Rurack, que está residindo na Alemanha temporariamente.

SP
Antonio C. Costa e Richardt Dunner

RJ
César Barbosa ( com bike reclinada)

PR
David Dewaele

DF
Adriana Cerqueira, Ricardo Araújo Pereira, Juan Mendes e Henrique Caldas

Os estrangeiros
Alguns estrangeiros devem fazer parte da delegação brasileira, ou estar ajudando o grupo.
Jorge, um português que irá pedalar em busca de seu quinto brevet de 1200 km no Paris Brest Paris. Estara usando camisa do Brasil!
Simmons, Inglês que iniciou as pedaladas longas em São Paulo, mas atualmente reside nos Estados Unidos e vai representar o grupo RUSA de lá.

Luiz Maganini Faccin

Informações sobre Audax 1200 km Paris Brest Paris
Site oficial
http://www.paris-brest-paris.org/FR/index.php

sábado, 14 de julho de 2007

Homenagens aos parceiros


Passados quase 2 meses da nossa prova de 400, finalmente conseguimos entregar todas as homenagens a quem nos ajudou a realizar esses eventos. Sem eles dificilmente conseguiríamos realizar essas provas com a repercussão e a qualidade com que elas aconteceram. A homenagem consistiu de um troféu de acrílico de cerca de 25 cm de altura por cerca de 10 cm de largura.

Quem recebeu a homenagem:

Capitão da PRE Samaroni Teixeira Zappe: Além de autorizar o evento ele participou ativamente no policiamento durante as provas. Quem pedalou por aqui sabe da importância dele.

Polícia Rodoviária Estadual: Se envolveram pessoalmente durante as provas com a segurança do ciclista, muito mais do que um policiamente burocrático eles buscaram incessantemente soluções de segurança durante toda a prova.

Polícia Rodoviária Federal: Colocaram 2 viaturas num trecho de menos de 40 km além de terem sido nossos parceiros desde o lançamento dos eventos

Faccin Bicicletas: Montaram os PC´s 2, 4 e 6 em Santa Cruz do Sul. É uma tranquilidade para todos os envolvidos ter um PC comandado pelo Giovani Faccin.

Casa do Ciclista: O Édio, o Ericson e toda a equipe fizeram o apoio mecânico no quiosque em Encantado.

União Assistencial: Forneceram a ambulância para a prova de 400km e já se mostram entusiasmados para o ano que vem.

Univias: Liberaram o pedágio para os carros da organização, além de fornecerem um carro de apoio e um UTI móvel.

Jornal o Informativo do Vale: É parceiro do Pedalajeado desde 2004, os nossos eventos parecem maiores do que realmente são por contarem com o apoio do maior joprnal do Vale do Taquari.

Rádio Independente: Já fomos mais de uma dezena de vezes falar na rádio sobre ciclismo, mas esse ano eles se superaram ao interromper a jornada esportiva durante a prova de 200 km para fazer uma entrevista ao vivo.

terça-feira, 10 de julho de 2007

PBP - A primeira baixa


Mogens Nielsen, dinamarquês de nascimento, brasileiro por opção, organizador do Audax 200 de Ijuí, conhecido por quase todos que fazem Audax no RS e amigo de uma infinidade de pessoas é a primeira baixa do PBP. Após ter pedalado os 200 e os 400 de Lajeado e os 200 e os 300 de Santa Cruz do Sul foi a SP completar a série, pedalando toda a prova ao lado do seu "fiel escudeiro" Glademir Schmitz companheiro das pedaladas de Ijuí.

Compromissos profissionais e uma pequena cirurgia feita a alguns dias atrás inviabilizaram a sua ida a Paris.

O Mogens é protagonista de uma das histórias mais bonitas do Audax no RS. Em 20 de maio de 2006 ele caiu a 200 metros da chegada do Audax 300 de Porto Alegre, uma prova caracterizada por ter sido a prova mais dura já realizada no RS. Foi um dia de chuva, vento e frio onde 40% dos ciclistas abandonaram a prova. Nessa queda ele deslocou a bacia e ficou mais de 30 dias no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, durante a longa convalescença muitos duvidaram da possibilidade daquele senhor de mais de 50 anos pudesse voltar a pedalar. Mas exatamente 1 ano após ele completou o Audax 400 de Lajeado e emocionado deu o seu depoimento na premiação.

Como devemos extrair algo de bom das piores notícias, fica a certeza de quem for a Paris em 2011 terá um grande parceiro nessa grande empreitada, pois certamente o Mogens estará lá.

Mogens, um fraterno abraço da família Audax!!!

Crédito da foto: Ricardo Wickert

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Quase 20 brasileiros irão ao PBP

Até o momento 18 brasileiros estão confirmados na maior prova de Audax do mundo o PBP. São 17 homens e 1 mulher que estarão representando o Brasil, em 1999 e 2003 apenas 1 brasileiro se fez presente nessa prova.

Estarão presentes ciclistas do RS, PR, SP, RJ e DF.

Quando tivermos a relação definitiva dos inscritos a publicaremos no blog.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O texto abaixo é de autoria do Luiz Faccin, ciclista de Santa Cruz do Sul, organizador de provas de Audax de 200 e 300 km e que está inscrito para o PBP.

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Acontecerá de 20 a 24 de agosto de 2007, em Paris, França, o Audax 1200 km Paris Brest Paris. Confira quem são os brasileiros que estarão lá!

O Audax 1200 km Paris Brest Paris é mais tradicional Audax existente. É realizado a cada 4 anos e conta com a participação de mais de 4000 ciclistas de mais de 25 paises. É considerado como a olimpíada para o ciclismo não competitivo. Devido a toda a logística, participarão do evento mais de 1000 voluntários, milhares de pessoas acompanhando o desafio nas estradas, centenas de familiares e apoiadores durante o evento. É também considerado o segundo maior evento ciclístico realizado no mundo, atrás apenas do Tour de France.

É uma das provas ciclísticas mais difíceis existentes e exige muito não só do físico, mas do psicológico do ciclista. Também é necessário um planejamento e uma estratégia correta por parte do participante.

O ciclista Jeancarlo ainda não confirmou a sua participação no Audax 1200, mas Erich e Luiz estão acertando detalhes da inscrição, reserva de hospedagem, uniformes juntamente com os demais ciclistas da delegação Brasileira.

Aqui no estado outros quatro Gaúchos estão confirmando presença no evento: Luiz Lazary, Carlos Calvete e Guilherme Kardel de Porto Alegre e Mogens Nielsen de Ijui.

O primeiro brasileiro a completar um Audax 1200 km foi Kayo Oliveira, gaúcho que reside em Boston e completou um evento em 1998 e o Paris Brest Paris em 1999. O segundo brasileiro a completar um Audax de 1200 foi Manoel Terra, carioca que completou o Paris Brest Paris em 2003. O terceiro brasileiro a participar de um Audax 1200, foi o lajeadense Paulo R. Bagatini em 2004 na Australia, quando não obteve o sonhado brevet.

Em 2007 cerca de 20 ciclistas devem participar do Paris Brest Paris entre eles apenas uma mulher, representante do Distrito Federal.

Alguns estrangeiros devem fazer parte da delegação brasileira. Jorge, um português que irá pedalar em busca de seu quinto brevet de 1200 km no Paris Brest Paris; Klaus Rurack, alemão que está realizando os brevets de classificação na Alemanha, mas reside também em Porto Alegre, Simmons, Francês que iniciou as pedaladas longas em São Paulo.
Fonte: Luiz Maganini Faccin
http://www.inema.com.br/mat/idmat089053.htm

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A história do Paris-Brest-Paris

Texto Bill Bryant
traduzido por Manuel Terra

http://www.bikemagazine.com.br - Bikemagazine
22/06/2007

Realizado pela primeira vez em 1891, o evento de 1.200 quilômetros Paris-Brest-Paris, também conhecido como "PBP" é uma que desafia a resistência, habilidade e a determinação dos ciclistas.

Organizado no mês de agosto, a cada quatro anos, pelo clube anfitrião Audax Club Parisien, o Paris Brest Randonneurs é o evento mais antigo ainda realizado com regularidade na estrada. A corrida começa no sudoeste da capital francesa e percorre 600 km rumo ao oeste, até a cidade portuária de Brest, no Oceano Atlântico, e retorna pela mesma rota. A prova é para os amadores e a participação de ciclistas profissionais é proibida.

Os ciclistas randonneurs de hoje em dia, mesmo não usando as bicicletas primitivas por estradas de terra e paralelepípedo de antigamente, ainda têm que enfrentar o mau tempo, ladeiras intermináveis e ainda pedalar contra o relógio. Um prazo limite de 90 horas assegura que somente os randonneurs mais tenazes recebam a prestigiosa medalha e tenham seu nome escrito no "Grande Livro" do evento junto com todos aqueles que completaram a competição desde o primeiro PBP.

O INÍCIO
Em 1891 as pessoas não sabiam o que podia ser feito com a bicicleta, inclusive alguns especialistas da medicina daquela época alertavam ao público alegando "danos à alma e ao corpo humano". Algumas mulheres mais modernas insistiam em andar de bicicleta, igual aos homens, contando com espectadores incrédulos.
Dez anos antes, havia começado as corridas em velódromo e os passeios pela cidade de prósperos ciclistas que podiam se permitir uma máquina daquelas era relativamente comum.
A idéia de cobrir longas distâncias na estrada estava engatinhando. De qualquer modo, com a virada do século se aproximando, idéias sobre o que poderia ser feito com este invento fascinante começaram a evoluir.
Tentativas iniciais em corridas e no cicloturismo (superando obstáculos como colinas) tinham começado alguns anos antes, mas não eram freqüentes. As estradas de terra naquela época eram abismais, empoeiradas no verão e lamacentas na chuva, e as ruas de paralelepípedo das cidades eram bastante agressivas para as frágeis rodas das bicicletas.
De qualquer forma, na primavera de1891 ocorreu a inaugural Bordeaux-Paris, uma corrida de estrada de 572 quilômetros que cativou a atenção do público e as vendas de jornais dispararam antes e durante os dias da corrida e esse fato não passou despercebido para o editor (e ciclista entusiasta) do "Le Petit Journal" Pierre Griffard.
O editor também observou que a participação estrangeira tinha dominado do começo ao fim a Bordeaux-Paris, pois o primeiro francês tinha se colocado num distante quinto lugar.

GRANDE ESTRADA DO OESTE
Então, o Paris-Brest-Paris foi anunciado no verão de 1891. Griffard pretendia que fosse o teste definitivo para a confiabilidade da bicicleta e para a força de vontade do ciclista. Ele assinalou a marca de 1.200 km. Sendo assim, o PBP faria do Bordeaux-Paris, e seu tempo recorde de 27 horas, parecerem uma brincadeira de criança. Somente homens franceses foram permitidos na prova.
Cada inscrito poderia ter até dez "puxadores" estrategicamente distribuídos ao longo da rota. Eram ciclistas apoiadores que poderiam ajudar ao participante fazendo vácuo, ou prestar ajuda em caso de problemas mecânicos, mas apenas alguns poucos ciclistas os empregavam no PBP.
Como os automóveis ainda não existiam, a corrida era monitorada por um sistema de observadores comunicados ao longo da rota pelo telégrafo e pela ferrovia. Os jornalistas mandavam, claro, suas matérias a Paris para que o público estivesse abastecido com edições especiais com as últimas noticias da corrida. O PBP chamou a atenção de fabricantes de bicicletas e de pneus querendo mostrar ao público "louco por bicicletas" que seus produtos eram superiores a outras marcas. Ao contrário da rota rural do atual PBP, que evita as estradas mais movimentadas ao oeste de Paris, a rota original seguia a "Grande Estrada do Oeste" em direção a Brest, ou Route Nationale 12, como acabou conhecida. O roteiro passava por La Queue-en-Yveline, Mortagne-au-Perche,Pré-en-Pail, Laval, Montauban-de-Bretagne, Saint Brieuc e Morlaix.

O PRIMEIRO CAMPEÃO
Cada participante tinha que parar nessas cidades-controle e ter o seu cartão de rota carimbado e assinado, procedimento praticado ate hoje. Ninguém sabia quanto tempo levaria pedalar aquela distância extraordinária e os mais pessimistas estavam convencidos de que não poderia ser feito, inclusive diziam que algum ciclista poderia morrer na tentativa!
Durante aquele verão de 1891, os jornais franceses estavam repletos de matérias especulativas sobre o evento e a imaginação do público era estimulada com esta façanha de determinação e audácia. Mais de 400 ciclistas se inscreveram, porém muitos aparentemente desiludidos pelos incrédulos desistiram antes da largada. Bem antes do nascer do sol do dia 6 de setembro largaram com grande pompa e cerimônia 206 ciclistas corajosos. Quantos, a multidão se perguntava, voltariam inteiros a Paris?
Amplamente divulgado pela imprensa e discutido pela opinião pública, a primeira edição do PBP foi um grande sucesso. O ganhador Charles Terront entrou pedalando em Paris triunfante após pouco menos de 72 horas sem dormir. Apesar de cedo, mais de dez mil torcedores esperavam sua chegada. Sua participação foi uma pedalada épica contra seus competidores e os elementos naturais e Terront tornou-se uma celebridade nacional.
Pouco mais da metade dos participantes desistiram durante a prova e pegaram o trem, enquanto 100 ferozes sobreviventes continuaram a chegar a Paris durante sete dias. Junto com premiações em dinheiro até o décimo sétimo colocado, estes heróis foram condecorados com uma medalha contendo os seus nomes e tempos. E assim nasceu a lenda do Paris-Brest-Paris.

TRANSFORMAÇÕES E MULHERES
Depois do primeiro PBP, em 1891, o evento teve edições 1901, 1911, 1921, 1931,1948 e 1951. O intervalo de dez anos refletia a dificuldade de organizar uma corrida dessa magnitude e também o esforço "Herculano" exigido para participar.
Entre os ciclistas era notório que uma corrida PBP na carreira era o suficiente. Porém, na maioria das edições a participação era pequena (25-45 inscritos). As primeiras edições da corrida atraiam os melhores ciclistas de longa distância da época, por exemplo: Maurice Garin, bicampeão do Paris-Roubaix, venceu o PBP em 1901 e também a edição inaugural do Tour de France em 1903.
O segundo PBP também foi significativo porque foi permitida a participação de ciclistas internacionais, entre eles o norte-americano Charly Miller, um especialista
em eventos de longa distância em pista. Com poucos recursos para o PBP, Miller não dispunha do apoio de uma equipe como seus rivais, especialmente os passistas ou puxadores.
De qualquer forma Miller superou a falta de sorte (numerosos furos de pneus e a quebra da bicicleta) e com uma bike emprestada, de improviso, chegou em quinto lugar em 56 horas e 40 minutos. Este jovem ciclista de 26 anos foi o primeiro norte-americano a participar e completar um PBP.
Desde 1901 os inscritos foram divididos em duas categorias: os velozes "coureurs de vitesse" e os mais lentos "touristes-routiers". Estes amadores recusavam todo o apoio de equipe oferecido aos ciclistas entre os postos de controle ao longo da rota. Eles foram os predecessores dos auto-suficientes randonneurs de hoje em dia.
Outra grande mudança aconteceu em 1911, quando deixou de ser permitido o uso de ciclistas puxadores, como nas duas primeiras edições. A partir daí os corredores começaram a fazer parcerias com outros ciclistas, que pedalariam todo o percurso juntos, seguindo um líder.
Em 1931 os organizadores abaixaram a categoria para a menos glamourosa "touristes routiers". Para sorte dos randonneurs de hoje em dia o Audax Club Parisien tomou as rédeas no assunto e organizou um brevê de 1.200 km, organizado paralelamente
à corrida. Era permitida a participação após a qualificação com um brevê de 300 km, em que os ciclistas de tandems (bicicletas de dois lugares) poderiam fazer um brevê de 200 km. Aproximadamente 60 randonneurs usaram a rota naquele ano, entre eles várias mulheres pela primeira vez num PBP. Algumas destas randonneuses estavam de tandem e duas delas em bicicletas solo.
Pedalando com o seu marido Jean numa tandem, madame Germaine Danis chegou com 88 horas e se tornou a primeira mulher a completar um PBP. Madmoiselle Paulette Vassard chegou 5 horas mais tarde para tornar-se a primeira mulher em solo a completar
o PBP. Nnaqueles tempos era permitido um tempo limite de 96 horas, que mudou em 1966, e refletia a melhora das estradas e bicicletas da era pós Segunda Guerra Mundial, para o limite atual de 90 horas.
Na época a rival do ACP, a UAP (Union des Audax Parisiens) não quis ficar por baixo e organizou um evento similar para seus membros após o PBP randonneur, mas não permitiam a participação de tandems e nem de mulheres.
Acreditando no companheirismo e na idéia "um por todos e todos por um", na sua versão rigorosamente agendada do PBP, o pelotão chegou de propósito em Paris após 85 horas na estrada. Porém nunca foi igual à versão randonneur, cuja imprevisibilidade e ritmo
livre lembra mais a uma corrida de estrada.

ENTRE GUERRAS
A Union des Audax Francaises (UAF), sucessora da UAP, continuou a organizar o "Audax PBP" em intervalos de cinco anos, desde 1951. A edição PBP de 1931 foi uma corrida épica, para muitos a melhor de todas. Transcorreu com o mau tempo e foi disputada com unhas e dentes. Depois de numerosas escapadas, perseguições e contra ataques a corrida finalizou com um sprint desesperado no Buffalo Velodrome de Paris.
O campeão foi o australiano Hubert Opperman, ou "Oppy", como era popularmente conhecido. Pedalando solo e superado em número por rivais com o apoio de uma equipe, seu forte espírito australiano e sua atitude intrépida cativaram fãs e o converteram num ídolo na Franca. Não é de surpreender que não houve PBP em 1941, devido à Segunda Guerra Mundial. O esporte do ciclismo foi deixado de lado na Europa, com poucas exceções, como versões de um dia do Tour de Flanders ou do Paris-Roubaix (apesar da falta de ciclistas de elite, ou devidamente treinados). Algumas destas corridas eram organizadas para levantar a moral e para lembrar àquelas nações ocupadas pelos nazistas que a vida estava voltando ao normal entre 1942-44. As corridas de "verdade" foram retomadas em 1946/47, depois do da guerra. Houve algum esforço para organizar o PBP em 1941, mas a necessidade de se pedalar à noite
desobedeceria o estrito toque de recolher imposto pelos invasores, então a idéia foi abandonada. Também, a cidade de Brest foi muito castigada pelas forcas aéreas e terrestres do exército americano, pois os alemães usavam o porto para basear sua frota de submarinos. Em setembro de 1944, 80% da cidade estava em ruínas e seus habitantes enfrentaram por décadas a seguir um árduo período de reconstrução.
Uma corrida de pós-guerra foi promovida em 1948 e por muito tempo esse foi o último
ano da corrida profissional. Muito disputada desde a largada, foi uma árdua batalha apesar da chuva presente a maior parte do tempo. O francês Maurice Diot regressou a Paris depois de somente 39 horas na estrada e por pouco superou no sprint ao compatriota Edouard Muller, no Parc des Princês Velodrome.
Uma curiosidade: Em Trappes, nas imediações de Paris, Diot esperou elegantemente o seu rival enquanto Muller consertava um furo no seu pneu. O exemplo esportivo genuíno foi uma boa maneira de concluir a última edição profissional da corrida.
Tentativas de organizar o PBP em 1956, e de novo em 1961, foram canceladas pela falta de interesse entre os corredores. O treinamento de longa distância requerido pelo PBP entrava em conflito direto com a lucrativa temporada (dos criterium) que precedia o
Tour de France. Uma era tinha finalizado, depois do PBP de 1951 o evento não era mais une course professionelle.
ANOS RANDONNEURS
Como decaiu o interesse entre o mundo profissional nos anos subseqüentes à Segunda Guerra, as versões amadoras - tanto a randonneur quanto a audax mantiveram o PBP vivo. Houve eventos do ACP Paris-Brest Paris Randonneurs em 1931, 1948, 1951, 1956, 1961, 1966, 1971, 1975,1979. 1983, 1987, 1991, 1995,1999 e 2003. Bem concorrida
para os tempos, os PBP da pós-guerra tiveram muita acolhida em um país querendo esquecer o pesadelo da guerra. Paralelamente a versões randonneur (cada um no seu ritmo) e a audax (um pelotão) ficaram muito populares, assim como o ciclismo de clubes em geral ao longo da Franca.
De fato, habitualmente e até os anos 80 o audax PBP tinha mais inscritos que a versão
randonneur. Depois de 1951 foi decidido agendar o evento em intervalos de 5 anos. De forma particular os PBP randonnées de 1948,1951 e 1956 viram as equipes masculinas de tandem superar aos ciclistas solo e chegar antes em Paris.
Após anos de participação enxuta nos anos 60 (menos de 180 ciclistas), o PBP Randonneurs cresceu tremendamente com a dedicação e liderança de Robert (Bob) e Suzanne Lepertel. O que uma vez foi um evento doméstico nos anos 70, ciclistas em número crescente começaram a ir para a França para participar cada vez mais do internacional PBP.
Mais randonneurs franceses também se inscreviam neste desafio. Após a participação
de 666 ciclistas, em 1975, a edição de 1979 contou com a participação de 1.766 ciclistas. Uma curiosa tradição de décadas é que as versões PBP Audax e a PBP Randonneur eram organizadas com um dia de diferença. Em 1971, um grupo de oito ciclistas do PBP Audax chegaram em Paris num sábado à tarde com 85 horas de estrada, para largar no dia seguinte às 16 horas no PBP Randonneur.
Os oito chegaram com êxito. Eles participaram com sucesso de duas PBP's no prazo de uma semana. Como a rivalidade entre os dois clubes continuava latente, depois da amarga ruptura em 1921(resultando numa longa disputa para determinar qual dos dois estilos produzia ciclistas mais determinados), talvez para diferenciar e evitar o paralelismo destes eventos o ACP mudou a data do seu evento para cada quatro anos.

MUDANÇA DE ROTAS
A rota tradicional pela N-12 ainda era usada, mas o perigo trazido pelo aumento no trânsito motorizado nas décadas da pós-guerra, com freqüência colocava os ciclistas em situações de risco. Em 1961 um randonneur do PBP foi morto por um motociclista em alta velocidade. Em 1966 outro ciclista foi morto por um motorista bêbado. Em 1975 outros dois foram mortos e um ficou inválido após atropelamento por um caminhão (um
dos atropelados era membro do grupo que fez o PBP 2 vezes em 1971).
Estes trágicos acidentes convenceram o ACP que estava na hora de mudar a lendária rota pela "Grande Estrada do Oeste", usada no PBP desde 1891, e desenvolveu a rota rural mais tranqüila, porém com mais colinas, que os randonneurs contemporâneos conhecem. As cidades com posto de controle passaram a ser Villaines-la-Juhel, Fougères, Tinténiac, Loudéac, Carhaix e, é claro, Brest. Depois de usar Bellême algumas vezes, em 1991, Mortagne-au-Perche foi incluída novamente. (O PBP Audax ainda usa a rota N-12 modificada, tentando acompanhar a original, mas o pelotão de 200 ciclistas é escoltado por motocicletas e carros de apoio, e sempre se mantém num grupo compacto, o que garante mais segurança).
Junto com a mudança significativa da rota, o PBP randonneur mudou sua aparência após o evento de 1975. Depois de usar restaurantes de estrada e hotéis como postos de controle, a partir de 1979 começou o que é hoje e prática usual: o uso de escolas e refeitórios maiores para os grandes grupos de cansados e famintos randonneurs.
O sistema atual de largada por levas também se iniciou nesse ano, por motivos similares. A partir de 1979 todos os inscritos teriam que fazer a série completa
de Super Randonneur, isto é, os brevês de 200, 300, 400 e 600 km. Em 1991 foi celebrado pelo ACP e a UAF o centenário do PBP. Os dois eventos foram organizados simultaneamente e foi um sucesso para todos os envolvidos. Nesta época os dois clubes decidiram esquecer suas rivalidades e o relacionamento tem sido harmonioso desde então. Devido ao crescente congestionamento da região de Paris, o local da largada foi transferido para Quentin-en-Yvelines, um subúrbio parisiense perto de Versailles.
Já se foram os tempos de largadas civilizadas à tarde ou de manhã para este
evento tão exigente. Por motivos de segurança justificáveis devido ao fato de colocar milhares de randonneurs em estradas nas imediações de Paris, largadas noturnas são freqüentes (infelizmente isto causa dificuldade adicional aos ciclistas mais lentos, alguns dos quais sofrem os efeitos piores de privação de sono no decorrer do evento).
Em 1995 o requerimento das regras do ACP do uso compulsório de pára-lamas e da proibição de publicidade na vestimenta foi abolido e para os mais puristas parte da atmosfera se perdeu.
De fato, houve algumas mudanças no PBP ao longo dos anos, mais isso não é de se estanhar, pois o mundo é um lugar bem diferente que em 1891. De qualquer forma os desafios que os randonneurs de hoje em dia encontram no PBP permanecem perenes e ressaltam seu apelo extraordinário e status lendário.
Nesses 115 anos de história não faltam histórias de valentia, desilusão e triunfo que perseguem os corredores e os randonneurs em cada edição do PBP.
A Paris-Brest-Paris é definitivamente uma pedalada brutal e não é para os tímidos, mas as virtudes heróicas freqüentemente encontradas entre e os participantes, tanto no passado quanto no futuro, são um testemunho eloqüente do inconquistável espírito humano.

Vive le Paris-Brest-Paris
Randonneurs